Projeto Aptra Lobo oferece tratamento gratuito para doença de Jorge Lobo na Região Norte

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O projeto Aptra Lobo, iniciativa do Ministério da Saúde em parceria com o Hospital Israelita Albert Einstein e a Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente (SVSA) no âmbito do Proadi-SUS, passou a oferecer diagnóstico e tratamento gratuitos para pacientes com Doença de Jorge Lobo (lobomicose) na Região Norte. A ação acompanha 104 pessoas nos estados do Acre, Amazonas e Rondônia e busca estruturar o manejo da enfermidade no Sistema Único de Saúde (SUS).

A Doença de Jorge Lobo, descrita em 1931 pelo dermatologista Jorge Oliveira Lobo, provoca lesões nodulares semelhantes a queloides em áreas como orelhas, pernas e braços. A infecção ocorre pela penetração do fungo em lesões da pele e pode evoluir para desfiguração e incapacitação. Segundo o Ministério da Saúde, até o momento foram registrados 907 casos, dos quais 496 no Acre.

O projeto integra assistência clínica, pesquisa e geração de evidências para subsidiar a elaboração de protocolos no SUS. Entre os resultados iniciais, mais de 50% dos participantes apresentaram melhora nas lesões. O tratamento empregado é o antifúngico itraconazol, disponível no SUS, com dosagens ajustadas conforme cada caso.

Atuação nas comunidades e desafios

Além do manejo clínico, o Aptra Lobo amplia o acesso ao diagnóstico em áreas remotas por meio da realização de biópsias e exames laboratoriais nos próprios territórios afetados, acompanhamento clínico trimestral e, quando indicado, cirurgias para remoção de lesões. Equipes locais são capacitadas para identificar pacientes e conduzir o tratamento conforme as diretrizes do projeto.

“São eles que captam os pacientes, fazem o diagnóstico e tratamento de acordo com as diretrizes criadas pelo projeto”, afirmou o infectologista e patologista clínico do Einstein Hospital Israelita, João Nobrega de Almeida Júnior.

O médico ressaltou que o difícil acesso às comunidades ribeirinhas, devido à distância e à geografia, é um obstáculo ao seguimento dos pacientes. Para amenizar esse problema, o projeto oferece ajuda de custo para transporte e organiza expedições a regiões de difícil acesso. O acompanhamento conta com apoio de centros de referência em Rio Branco, Manaus e Porto Velho.

Casos e impacto social

O seringueiro e agricultor familiar Augusto Bezerra da Silva, diagnosticado ainda jovem no interior do Acre e hoje com 65 anos, relata que a doença o obrigou a interromper o trabalho e o levou ao isolamento por causa do estigma. As lesões, que causavam dor, coceira e inflamação e pioravam com a exposição ao sol, comprometeram sua convivência social por décadas.

“O problema que eu passei não foi fácil. Você, novinho, você se acha perfeito, sem defeito. Aí depois você tem que se isolar, sem ter como, para melhor dizer, ser liberto. Se colocar isolado com a idade de 20 anos, até perto da idade de 65 não é fácil mesmo”, contou Augusto à Agência Brasil.

Após ingressar no projeto e iniciar o tratamento com itraconazol, Augusto relata redução nas lesões e melhora na qualidade de vida: “Hoje eu me sinto mais tranquilo porque tem pouco caroço no meu rosto e hoje eu me sinto mais aliviado do problema que eu vinha sentindo”. Ele ressalta, porém, que a cura total não está garantida.

Material técnico e próximos passos

Em dezembro de 2025, o projeto lançou um manual que oferece ferramentas práticas para aprimorar o diagnóstico, o tratamento e a prevenção da lobomicose, além de fortalecer a capacidade de acolhimento das populações afetadas. O documento está disponível no site do Ministério da Saúde: manual de manejo da Doença de Jorge Lobo.

De acordo com Almeida Júnior, os dados gerados pelo acompanhamento dos pacientes serão analisados para a elaboração de um Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT), previsto para ser publicado em 2026, e para discutir a renovação do projeto com o objetivo de garantir um legado duradouro no cuidado aos pacientes.

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