Lula elogia retirada de credenciais de agente dos EUA e diz que decisão segue princípio da reciprocidade

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva elogiou nesta quarta-feira, 22 de abril de 2026, a decisão do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, de revogar as credenciais diplomáticas de um agente de imigração dos Estados Unidos que atuava na sede da corporação em Brasília. Segundo o presidente, a medida reflete o princípio da reciprocidade nas relações entre os países.

Em vídeo divulgado nas redes sociais, ao lado de Andrei Rodrigues e do ministro da Justiça, Wellington Lima e Silva, Lula afirmou que o Brasil reagiu da mesma forma que foi tratado e manifestou a expectativa de que as conversações entre os dois governos possam ser retomadas. O presidente também anunciou a contratação de 1.000 novos agentes para reforçar a atuação da Polícia Federal em portos, aeroportos e áreas fronteiriças como parte do combate ao crime organizado.

A ação brasileira ocorreu após o governo dos Estados Unidos solicitar, na segunda-feira, 20 de abril de 2026, a saída do delegado da Polícia Federal Marcelo Ivo de Carvalho do território norte-americano. O Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental dos EUA informou ter pedido a saída de um “funcionário brasileiro”; embora o comunicado não tenha citado nomes, fontes indicaram tratar-se do delegado Marcelo de Carvalho, que participou da prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem.

O Ministério das Relações Exteriores (MRE) do Brasil publicou uma nota na rede X comunicando à representante da embaixada dos EUA que o país adotaria tratamento recíproco. O comunicado criticou a decisão americana como sumária, afirmando que não houve pedido prévio de esclarecimentos nem tentativa de diálogo, conforme previsto no acordo bilateral de cooperação policial. O MRE também observou que o agente norte-americano atuava com base em memorando de entendimento entre os dois governos sobre intercâmbio de oficiais de ligação na área de segurança.

Entenda o caso

O ex-deputado Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), foi preso pelo serviço de imigração dos EUA na cidade de Orlando e ficou detido por dois dias, sendo liberado em 15 de abril de 2026. Ramagem foi condenado no ano anterior pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 16 anos de prisão na ação penal relacionada a uma trama golpista, perdeu o mandato e passou a residir nos Estados Unidos para evitar o cumprimento da pena.

Em dezembro de 2025, o ministro Alexandre de Moraes determinou o envio de pedido formal de extradição de Ramagem aos Estados Unidos, por meio do Ministério da Justiça e Segurança Pública. A Polícia Federal informou em abril que a detenção do ex-deputado decorreu de cooperação policial internacional e classificou Ramagem como foragido da Justiça brasileira, apontando condenações por organização criminosa armada, tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado democrático de direito.

Para mais informações, consulte a publicação original da Agência Brasil: https://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2026-04/fizeram-conosco-gente-vai-fazer-com-eles-diz-lula-sobre-eua.

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