Brasil e Espanha assinaram, em 17 de abril de 2026, em Barcelona, uma série de acordos que abrangem a regulação de big techs, tecnologia digital, minerais estratégicos e medidas contra desigualdade social, discriminação e crime organizado.
Os documentos foram rubricados pelos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Pedro Sánchez durante a 1ª Cúpula Brasil-Espanha. As tratativas confirmaram alinhamentos políticos e compromissos em matérias de interesse bilateral e internacional.
Em reuniões setoriais realizadas na cidade, autoridades dos dois países concluíram negociações que resultaram em pactos para cooperação nas áreas de tecnologias da informação e telecomunicações; políticas públicas voltadas a pequenas e médias empresas; intercâmbio cultural e sustentabilidade; transportes aéreos; e previdência social.
O presidente Lula ressaltou que a Espanha é, há décadas, um dos principais investidores no Brasil, citando os setores de telecomunicações, finanças, energia e infraestrutura. Segundo ele, empresas espanholas venceram 50 projetos no Programa de Parcerias de Investimentos brasileiro, totalizando mais de US$ 10 bilhões em aportes.
Ao tratar da regulamentação das grandes empresas digitais, Lula afirmou que, sem normas adequadas, as big techs podem instaurar o que chamou de “era do colonialismo digital”, ao extrair e monetizar dados e concentrar poder econômico e político. Em resposta a esse desafio, os dois países vêm investindo em capacidades próprias para preservar a soberania digital.
O presidente brasileiro citou iniciativas de cooperação científica entre o Centro Nacional de Supercomputação de Barcelona e o Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), destacando que esses vínculos permitirão o desenvolvimento conjunto de projetos em inteligência artificial e outras áreas tecnológicas.
As parcerias também incluem cooperação ao longo das diversas etapas da cadeia de minerais estratégicos, com o objetivo de gerar conhecimento e agregar valor aos recursos explorados.
Posição da Espanha e compromissos sociais
Pedro Sánchez afirmou que Brasil e Espanha atuam como “países motores” na aproximação entre União Europeia, América Latina e Caribe, e que a parceria bilateral tem relevância no contexto de fragmentação internacional. Segundo ele, a atuação conjunta busca transmitir uma mensagem de cooperação, abertura, confiança mútua e prosperidade compartilhada no âmbito do Mercosul.
Sánchez acrescentou que, além de convergências sobre paz e multilateralismo, os dois países avançaram em compromissos sociais voltados ao combate à violência de gênero, à promoção da igualdade racial e ao fortalecimento da economia solidária.
*Colaborou Andréia Verdélio.
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