O Instituto Nacional de Câncer (Inca), a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e outras instituições de pesquisa elaboram uma carta conjunta com recomendações e orientações para estudos sobre dispositivos eletrônicos para fumar (DEF), como cigarros eletrônicos, vapes e aparelhos similares.
O documento será assinado pelo diretor-geral do Inca, Roberto Gil, pela vice-presidente adjunta de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde da Fiocruz, Patricia Canto, e por representantes de universidades e centros de pesquisa de diferentes regiões do país.
Seminário no Rio de Janeiro
As diretrizes foram discutidas nos dias 14 e 15 de abril de 2026, durante o seminário “Construindo uma Agenda de Pesquisa Prioritária sobre Dispositivos Eletrônicos para Fumar para o Brasil”, realizado no Rio de Janeiro. O encontro reuniu pesquisadores que revisaram a produção científica nacional sobre o tema e definiram lacunas e prioridades para futuras investigações.
Os organizadores partiram de um levantamento que mapeou, entre 2019 e março de 2025, 59 estudos sobre os impactos dos DEFs na literatura científica brasileira. As pesquisas analisadas tratam de danos à saúde humana, dados epidemiológicos sobre experimentação e uso, além de questões regulatórias e de políticas públicas.
De acordo com o diretor-geral do Inca, Roberto Gil, o seminário foi um esforço coletivo para orientar a agenda de pesquisa nacional. “Queremos fortalecer a base científica que orienta as políticas públicas e ampliar a capacidade de resposta do País a esse desafio, que representa uma ameaça à saúde da população brasileira, sobretudo das novas gerações”, afirmou.
A pesquisadora e coordenadora substituta do Centro de Estudos sobre Tabaco e Saúde (Cetab/Fiocruz), Ana Paula Natividade, destacou a necessidade de organizar o conhecimento disponível e definir caminhos para novas investigações. “O avanço acelerado desses produtos e das estratégias da indústria do tabaco exige respostas científicas igualmente rápidas e coordenadas”, declarou.
O documento final de recomendações buscará orientar futuras pesquisas nacionais sobre DEFs, com foco em subsidiar políticas públicas e ações de saúde. Entre os objetivos estão ampliar a produção de evidências sobre efeitos à saúde, monitorar padrões de uso e avaliar medidas regulatórias.
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