O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta quinta-feira (2 de abril de 2026), que pretende anular o leilão de gás liquefeito de petróleo (GLP) realizado pela Petrobras, após apurar vendas do produto às distribuidoras com preços até 100% superiores aos divulgados na tabela da estatal.
Transmissão: Record | Band
Em entrevista transmitida pela Record — citando também a Band entre os veículos de veiculação, Lula afirmou que o certame ocorreu “contra a vontade da direção da Petrobras” e classificou o processo com termos duros. Segundo o presidente, a realização do leilão contrariou orientação do governo e da própria direção da empresa.
O chefe do Executivo disse que o governo irá rever o resultado do leilão e anunciou a intenção de anulá-lo, justificando que “o povo pobre não pagará, em hipótese alguma, o preço dessa guerra” — referência ao impacto dos conflitos no Oriente Médio sobre os preços internacionais de energia.
Lula criticou a diferença entre o preço praticado pela Petrobras e o cobrado ao consumidor final. Segundo ele, quando a estatal vende um botijão a R$ 37, o valor não deveria chegar a R$ 140, R$ 150 ou R$ 160 nas residências, e apontou a existência de ágio de até 100% no certame.
Contexto do mercado e medidas do governo
Embora o Brasil produza GLP, o mercado interno é influenciado por cotações externas, atualmente pressionadas pela guerra no Oriente Médio. A estratégia de leilões com elevados ágios tem sido interpretada como um mecanismo para aproximar os preços domésticos dos internacionais sem alterar formalmente a tabela da Petrobras. A estatal mantém, em sua página na internet, os preços de venda aos distribuidores sem tributos e informa que os valores do GLP não foram alterados desde novembro de 2024.
O presidente também reafirmou críticas aos aumentos recentes nos combustíveis, especialmente no diesel, cuja cotação internacional tem pressionado o mercado interno. O Brasil importa cerca de 30% do óleo diesel que consome. Como respostas imediatas, o governo adotou redução de impostos e prepara uma medida provisória para criar um subsídio ao diesel importado com desconto de R$ 1,20 por litro.
Lula citou ainda o programa Gás do Povo, lançado em setembro de 2025 para substituir o antigo Auxílio Gás e assegurar o botijão gratuito a famílias de baixa renda, como ação do governo para mitigar o custo do GLP.
O presidente criticou a privatização da BR Distribuidora em 2019, alegando que a existência da subsidiária poderia hoje ajudar a conter aumentos nos preços ao consumidor. Ele também mencionou estudo sobre a recompra da Refinaria de Mataripe, vendida em 2021, argumentando que a unidade produz atualmente menos da metade de sua capacidade e que a maior produção é necessária para reduzir dependência de diesel importado.
A Agência Brasil entrou em contato com a Petrobras para solicitar esclarecimentos sobre as condições do leilão e aguarda retorno. O espaço segue aberto para manifestação.
Com informações de Agência Brasil
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