A seleção de Cabo Verde, conhecida como Tubarões Azuis, conquistou uma das vagas extras oferecidas pela Copa do Mundo de 2026, que será disputada em junho nos Estados Unidos, no México e no Canadá. Com a ampliação para 48 equipes – 16 a mais do que no Catar, em 2022 –, a competição registrará a primeira participação do arquipélago africano ao lado de Curaçau, Jordânia e Uzbequistão.
Localizado a noroeste da África, o país é formado por dez ilhas montanhosas e soma cerca de 500 mil habitantes. Fora do território, há pouco mais de 1 milhão de cabo-verdianos e descendentes distribuídos entre Europa e Américas. Foi justamente esse contingente que sustentou a estratégia de classificação: a convocação de atletas da diáspora.
Raízes históricas e construção nacional
Segundo o jornalista e professor João Almeida Medina, da Universidade de Cabo Verde, a identidade local “sempre transitou entre África, Américas e Europa”, característica que facilitou a adaptação de jogadores criados fora do arquipélago. A ligação entre futebol e sentimento nacional remonta ao processo de independência, há 50 anos, quando o líder Amílcar Cabral defendia a união do povo usando o esporte como metáfora de cooperação.
Filiação à Fifa e origem do apelido
Os Tubarões Azuis ingressaram na Confederação Africana de Futebol em 1986 e na Fifa, dois anos depois. O apelido faz referência aos tubarões que habitam a costa cabo-verdiana, espécie pressionada pelas mudanças climáticas: águas mais quentes reduzem o oxigênio, empurrando os peixes para a superfície e facilitando a captura.
Chegada às competições continentais
A evolução esportiva ganhou impulso em 2012, com o técnico Lúcio Antunes. Ex-comandante das divisões de base, ele levou a equipe ao primeiro Campeonato Africano das Nações (CAN) e alcançou as quartas de final. Antunes reforçou o elenco com jogadores que atuavam em ligas de Holanda, França, Espanha e Portugal, muitos deles de segunda ou terceira geração de emigrantes.
Apesar do avanço, o rendimento oscilou nos anos seguintes. A retomada veio em 2020, ainda durante a pandemia de covid-19, quando o ex-zagueiro Pedro Brito, o Bubista, assumiu o comando. Em três anos, o treinador obteve duas classificações seguidas para a Copa Africana (2021 e 2023) e, na sequência, garantiu a histórica vaga no Mundial.
Campanha nas eliminatórias
A trajetória até 2026 incluiu uma série de cinco vitórias consecutivas, com destaque para o triunfo sobre Camarões, definido por gol do atacante Daylon Livramento. Ídolos locais, como o atacante Bebé (Tiago Manuel Dias Correia) e o goleiro Vozinha (Josimar Dias), também contribuíram. Para Medina, a sequência “sacudiu o espírito de um país inteiro”, que saiu às ruas para comemorar.
Próximos desafios
Antes de enfrentar potências globais, Cabo Verde mede forças com o Chile em amistoso marcado para esta sexta-feira (27) na Nova Zelândia. A lista final de convocados deve ser divulgada entre abril e maio. Confiante, Medina aposta no apoio não apenas dos cabo-verdianos espalhados pelo mundo, mas também de torcedores brasileiros, país com vínculos históricos com o arquipélago.
“Não vamos apenas participar”, resume o professor, ao enfatizar que a equipe chega equilibrada, disciplinada e entusiasmada para “nadar com gigantes” em solo norte-americano.
Com informações de Agência Brasil
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