Quase um terço dos estudantes brasileiros de 13 a 17 anos declarou sentir-se triste “sempre ou na maioria das vezes”, segundo a edição 2024 da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSe), divulgada nesta quarta-feira (25) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Percentual semelhante informou já ter sentido vontade de se machucar de propósito, expondo um cenário de saúde mental considerado preocupante.
O levantamento entrevistou 118.099 alunos que frequentavam 4.167 escolas públicas e privadas em todo o país. A amostra é representativa do universo de adolescentes matriculados no ensino fundamental e médio.
Indicadores de saúde emocional
Entre os jovens ouvidos, 42,9% relataram sentir-se “irritados, nervosos ou mal-humorados por qualquer coisa”. Outros 18,5% afirmaram pensar, com frequência, que “a vida não vale a pena ser vivida”.
Os dados indicam ainda que cerca de 100 mil estudantes sofreram lesões autoprovocadas nos 12 meses anteriores à pesquisa, correspondendo a 4,7% de todos os acidentes ou ferimentos registrados no período. Nesse grupo, 73% disseram sentir tristeza constante, 67,6% apresentaram irritabilidade recorrente, 62% não encontravam sentido na vida e 69,2% já haviam sido vítimas de bullying.
Apoio limitado nas escolas
Apesar da gravidade dos resultados, apenas 49% dos entrevistados estudavam em instituições que ofereciam algum tipo de suporte psicológico. O índice sobe para 58,2% na rede privada e cai para 45,8% na pública. A presença de profissionais de saúde mental é ainda mais rara, alcançando somente 34,1% dos alunos.
Convívio familiar
O levantamento mostra que 26,1% dos adolescentes sentem que “ninguém se preocupa” com eles. Pouco mais de um terço acredita que pais ou responsáveis não compreendem seus problemas e 20% afirmaram ter sofrido agressão física de algum familiar ao menos uma vez no ano que antecedeu a pesquisa.
Diferenças entre meninas e meninos
Em todos os quesitos analisados, as meninas apresentaram índices piores. Entre elas, 41% relatam tristeza frequente, ante 16,7% dos meninos. A vontade de se ferir foi citada por 43,4% das alunas, contra 20,5% dos colegas do sexo masculino. No item “vida não vale a pena”, o percentual feminino é 25%, enquanto o masculino fica em 12%. As disparidades se repetem em irritabilidade (58,1% versus 27,6%), falta de compreensão dos pais (39,7% contra 33,5%) e sensação de desamparo (33% ante 19%).
Quanto às lesões autoprovocadas, 6,8% das meninas que sofreram algum ferimento se machucaram intencionalmente, frente a 3% dos meninos.
Imagem corporal em queda
O grau de satisfação com a aparência física caiu de 66,5% em 2019 para 58% em 2024. Mais de um terço das meninas se declarou insatisfeita com o próprio corpo, porcentagem que não chega a um quinto entre os meninos. Enquanto 21% das alunas se consideram gordas ou muito gordas, 31% estão tentando perder peso, proporções superiores às observadas no público masculino.
Onde buscar ajuda
O Ministério da Saúde recomenda que adolescentes com pensamentos de suicídio ou autoagressão conversem com pessoas de confiança e procurem atendimento especializado. Entre os serviços disponíveis estão os Centros de Atenção Psicossocial (Caps), Unidades Básicas de Saúde, UPAs, pronto-socorros, SAMU 192 e o Centro de Valorização da Vida (CVV), acessível 24 horas pelo número 188, e-mail, chat ou VoIP.
Com informações de Agência Brasil
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