Determinação sustenta avanço feminino no futebol diante de barreiras históricas

Rafael Ramos
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Mulheres que atuam dentro e fora de campo seguem enfrentando obstáculos estruturais no futebol brasileiro, cenário que só começa a mudar graças à persistência de atletas, profissionais de mídia e gestoras esportivas. Durante o Mês da Mulher, personagens de diferentes áreas do esporte relatam como a vontade de permanecer no meio futebolístico tem sido decisiva para derrubar preconceitos que ainda resistem décadas depois da antiga proibição da modalidade para jogadoras.

Dados da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) mostram a dimensão do desafio: em 2022, apenas 360 jogadoras profissionais e 17 árbitras estavam registradas no país. Para ampliar esses números, iniciativas de base e o fortalecimento dos clubes em todas as regiões despontam como prioridades.

Ambiente seguro é prioridade, diz Formiga

Há três meses à frente da Diretoria de Políticas de Futebol e de Promoção do Futebol Feminino no Ministério do Esporte, a ex-volante Formiga defende que a expansão da modalidade depende da criação de um ambiente protegido para meninas e mulheres em qualquer função, seja como atletas, treinadoras, árbitras ou dirigentes.

Única jogadora a disputar sete Copas do Mundo, Formiga lembra que a formação de base precisa ser fortalecida em todo o território nacional. “São Paulo carrega o peso do futebol feminino, mas é preciso equilibrar o desenvolvimento do esporte nos demais estados”, afirma.

Sonho que exige mudança de cidade

Exemplo dessa busca por estruturas adequadas é a meio-campista Isadora Jardim, de 14 anos. Convocada para a Seleção Brasileira sub-15, ela deixou o Distrito Federal para treinar no Corinthians, em São Paulo. A rotina divide treinos matinais e estudos à tarde. Comentários como “futebol não é para mulher” já foram ouvidos pela jovem atleta, que encara as críticas como combustível para seguir em frente. “Nunca desistam e continuem treinando”, recomenda às meninas que desejam seguir carreira.

Cabines de transmissão ainda majoritariamente masculinas

Fora das quatro linhas, a narradora Luciana Zogaib destaca que o rádio, com mais de um século de história, sempre foi conduzido quase exclusivamente por vozes masculinas. Integrante das equipes de esportes da TV Brasil e da Rádio Nacional, a profissional lembra que a presença feminina nas cabines é fundamental para abrir mercado e inspirar outras emissoras a contratar locutoras.

Copa do Mundo de 2027 impulsiona ações

A proximidade da Copa do Mundo de Futebol Feminino de 2027, que será realizada no Brasil, mobiliza governo federal e Empresa Brasil de Comunicação (EBC) em ações conjuntas. A secretária extraordinária para o torneio, Juliana Agatte, reuniu-se recentemente com a presidência da EBC para discutir o legado social e esportivo do evento, além de estratégias para levar transmissões às regiões mais distantes do país.

Tela do Futebol Feminino ganha espaço

A TV Brasil mantém, pelo terceiro ano consecutivo, a exibição de partidas da Série A1 do Campeonato Brasileiro Feminino. A grade inclui também confrontos decisivos das Séries A2 e A3, além das finais dos torneios de base Sub-17 e Sub-20, numa tentativa de ampliar a visibilidade da modalidade.

Com relatos que vão da gestão pública às categorias de base, a mensagem recorrente é a mesma: sem determinação e estrutura adequada, o avanço do futebol feminino seguirá lento. Por isso, iniciativas de formação, segurança e exposição midiática são apontadas como caminhos indispensáveis para garantir a presença feminina em todos os setores do esporte.

Com informações de Agência Brasil

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Rafael Ramos é jornalista e gestor de comunicação com atuação em múltiplos portais de notícias em Sergipe. Apaixonado por política nacional e internacional, esportes e cultura, assina coberturas que unem rigor informativo e linguagem acessível ao leitor contemporâneo. À frente do R2 Media Group, dedica-se a levar informação de qualidade para o público sergipano e brasileiro.