São Bernardo do Campo (SP), 19 de março de 2026 — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou, nesta quinta-feira, que as jazidas de terras raras e minerais críticos existentes no Brasil representam “a forma de recuperarmos a cidadania da América do Sul”. A afirmação foi feita durante cerimônia no Centro de Formação e Educação Permanente (Cenforpe), no Grande ABC.
Em discurso, Lula criticou o interesse estrangeiro sobre esses recursos. “E agora eles querem nos explorar e repetir o que os espanhóis fizeram com o minério de ferro e o ouro: levar tudo e deixar apenas os buracos. Desta vez, vamos nos unir para garantir que os minerais críticos e as terras raras sirvam ao povo latino-americano”, disse o presidente, ressaltando que a exploração deverá ocorrer em benefício próprio da região.
Lula respondeu diretamente às recentes manifestações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que sinalizou interesse na extração desses minérios em território brasileiro. Para o chefe do Executivo, apenas os países sul-americanos podem resolver seus desafios internos. “Nós — e somente nós — poderemos resolver os nossos problemas de soberania, de integridade territorial e de elevação das condições de vida dos povos do Brasil e da América Latina”, declarou.
Homenagem a Pepe Mujica
A agenda de Lula no Cenforpe incluiu a entrega, pela Universidade Federal do ABC (UFABC), do título de Doutor Honoris Causa in memoriam ao ex-presidente do Uruguai José “Pepe” Mujica. A solenidade contou com a presença de Lucía Topolansky, ex-vice-presidente do Uruguai e viúva de Mujica, que recebeu a honraria.
Ao lembrar o amigo uruguaio, Lula afirmou ter convivido com “um ser humano muito especial” e leu carta que recebeu de Mujica após ter sido eleito novamente presidente do Brasil. “Que a vida de Pepe Mujica seja inspiração para nossa juventude”, destacou o reitor da UFABC, Dácio Roberto Matheus, durante o evento.
Lucía Topolansky doou à universidade uma cópia do livro Semillas al Viento, escrito por Mujica. Conectado por videoconferência, o atual presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, agradeceu a preservação do legado deixado por seu antecessor. Mujica morreu em 13 de maio de 2025, aos 89 anos, em Montevidéu.
Distinção acadêmica
O título de doutor honoris causa é a mais alta homenagem concedida por universidades a personalidades que se destacam nas artes, ciências, política, cultura ou causas humanitárias. A UFABC aprovou a concessão da honraria a Mujica em junho de 2024, justificando que o líder uruguaio promoveu valores como democracia, educação, integração regional e consciência ética.
Lula também já recebeu o mesmo reconhecimento da universidade em 2013, tornando-se a primeira pessoa a ser agraciada pela instituição com a distinção.
Com informações de Agência Brasil
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