A Organização Marítima Internacional (OMI) anunciou a intenção de negociar imediatamente a criação de um corredor humanitário no Estreito de Ormuz, rota estratégica que permanece bloqueada pelo Irã em reação a ataques dos Estados Unidos e de Israel.
O compromisso foi apresentado pelo secretário-geral da entidade, Arsenio Dominguez, ao término de uma sessão extraordinária de dois dias do Conselho da OMI, realizada em Londres. “Estou pronto para iniciar agora as negociações destinadas a evacuar todos os navios e marítimos retidos”, declarou o dirigente, segundo a agência RTP.
Ligada às Nações Unidas, a OMI calcula que 20 mil tripulantes estejam a bordo de 3.200 embarcações imobilizadas no Golfo Pérsico, incapazes de atravessar o estreito por motivos de segurança. Dominguez reforçou que o sucesso da operação depende de “compreensão, empenho e, acima de tudo, ações concretas” de todos os países envolvidos, do setor privado e de demais agências da ONU.
Mobilização europeia e japonesa
No mesmo dia, os governos de França, Reino Unido, Alemanha, Itália, Países Baixos e Japão divulgaram uma declaração conjunta, em 19 de março, manifestando disposição para colaborar na reabertura segura da passagem. “Estamos prontos para contribuir com os esforços necessários para garantir a navegação no Estreito”, afirma o texto, que também elogia iniciativas de planejamento já em curso.
O documento não detalha qual seria o formato da participação desses países. A manifestação surge quatro dias depois de as mesmas nações terem recusado convite dos Estados Unidos e de Israel para integrar uma operação de liberação da área, negativa que irritou o presidente norte-americano Donald Trump. Após o episódio, Trump declarou que não precisaria de “ninguém” para libertar o estreito.
Impacto econômico
Por Ormuz trafega cerca de 20% do petróleo comercializado globalmente. O fechamento da rota tem provocado forte volatilidade nos mercados financeiros e ampliado o preço do barril, com reflexos econômicos sentidos em diversas regiões do mundo.
Não há, até o momento, calendário definido para a instalação do corredor humanitário proposto pela OMI, nem indicação de quais forças ou organismos internacionais participariam diretamente da operação de escolta dos navios comerciais.
As discussões lideradas pela OMI deverão prosseguir nas próximas semanas, enquanto governos e atores do setor marítimo avaliam alternativas para garantir a segurança da navegação e o retorno das tripulações.
Com informações de Agência Brasil
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