Bombardeio israelense atinge centro de Beirute e amplia confronto regional

Robson Alves
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Aviões de guerra de Israel lançaram ataques contra o centro de Beirute na madrugada desta quarta-feira, 18 de março, derrubando prédios residenciais e provocando uma das ofensivas mais intensas contra a capital libanesa em décadas. A ação aprofunda o conflito em curso entre Israel, Estados Unidos e Irã, que já se estende por quase três semanas.

O bombardeio seguiu-se à morte do chefe de segurança iraniano Ali Larijani, ocorrida no dia anterior, e à confirmação, por Israel, de que o ministro da Inteligência do Irã, Esmail Khatib, também foi eliminado. Teerã admitiu a perda de Larijani, reagiu com disparo de mísseis de múltiplas ogivas contra o território israelense e matou duas pessoas nas proximidades de Tel Aviv, segundo autoridades locais.

Em meio à escalada, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, declarou que a estrutura política da República Islâmica permanece firme e não depende de indivíduos específicos. Paralelamente, o novo líder supremo, Mojtaba Khamenei, rejeitou propostas de países mediadores para reduzir as tensões, exigindo que Estados Unidos e Israel sejam “colocados de joelhos”, conforme relatou um funcionário iraniano que pediu anonimato.

Impacto em Beirute

No distrito de Bachoura, área central da capital, militares israelenses avisaram moradores sobre um edifício que, segundo eles, abrigava posições do Hezbollah. O imóvel foi totalmente destruído, como mostra vídeo verificado pela agência Reuters. Morador da região, Abu Khalil disse ter ajudado vizinhos a deixar as casas logo após o alerta e classificou o ataque como tentativa de “aterrorizar as pessoas”.

Dois outros bairros centrais foram atingidos sem aviso prévio, resultando na morte de pelo menos dez pessoas, de acordo com autoridades libanesas. Ruas ficaram cobertas por destroços e veículos queimados. Embora o sul de Beirute, reduto do Hezbollah, tenha sido alvo de bombardeios frequentes nos últimos dias, os ataques desta quarta-feira figuram entre os mais graves contra a zona central da cidade desde a guerra civil encerrada em 1990.

Frente ampliada

Além dos ataques aéreos, Israel iniciou uma ofensiva terrestre no sul do Líbano em busca de combatentes do Hezbollah que vinham disparando contra o território israelense. O Exército israelense reconheceu ter atingido, por engano, uma base da ONU na região, há uma semana, ferindo três capacetes azuis de Gana.

No próprio território israelense, um míssil iraniano abriu uma cratera na calçada e incendiou carros em Holon, ao sul de Tel Aviv. “Entramos no abrigo ao soar o alarme e ouvimos um estrondo enorme”, relatou a moradora Leah Palteal.

Vítimas e deslocados

As autoridades libanesas calculam 900 mortos e 800 mil deslocados no país desde o início das hostilidades. A organização iraniana de direitos humanos HRANA, com sede nos Estados Unidos, estima mais de 3 mil mortes no Irã após os bombardeios conduzidos por Israel e Washington a partir do fim de fevereiro. Ataques iranianos também provocaram vítimas no Iraque e em nações do Golfo, enquanto 14 pessoas morreram em Israel.

Washington e Tel Aviv sustentam que o objetivo da ofensiva é conter a capacidade iraniana de projetar poder fora de suas fronteiras e desmantelar seus programas nuclear e de mísseis. Ambos os governos conclamaram a população iraniana a derrubar a liderança clerical, mas até o momento não há registros de mobilização organizada dentro do país persa.

Enquanto isso, o conflito pressiona o mercado mundial de energia, com reflexos políticos para o presidente norte-americano Donald Trump. O preço do diesel nos Estados Unidos ultrapassou hoje US$ 5 por galão, patamar não visto desde a inflação de 2022.

Com informações de Agência Brasil

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Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.