Os governos de Colômbia e Equador voltaram a trocar acusações após o presidente colombiano, Gustavo Petro, afirmar que artefatos explosivos teriam sido lançados sobre território colombiano a partir de aeronaves vindas do país vizinho. A declaração foi feita na segunda-feira (16), em Bogotá, durante reunião ministerial.
Segundo Petro, bombas “apareceram” em área próxima à fronteira e há registros de “muitas explosões” na região. “Estão nos bombardeando a partir do Equador, e não são grupos armados”, disse o presidente, ressaltando que uma investigação deve confirmar a autoria. O chefe de Estado afirmou existir uma gravação do episódio, supostamente produzida em solo equatoriano, e defendeu sua divulgação ao público.
O líder colombiano relatou ainda ter discutido o caso com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. “Pedi a Trump que atue e chame o presidente do Equador, porque não queremos entrar em guerra”, completou, enfatizando que “a soberania nacional deve ser respeitada”.
Equador nega qualquer incursão
Na terça-feira (17), o presidente equatoriano, Daniel Noboa, utilizou uma rede social para refutar as acusações. “Presidente Petro, suas declarações são falsas; estamos agindo em nosso território, não no seu. Não vamos recuar”, afirmou. Noboa acusou Bogotá de permitir a presença da família de Fito, líder de uma organização de narcotráfico equatoriana, em solo colombiano.
O mandatário acrescentou que o Equador segue bombardeando esconderijos de grupos criminosos “em sua maioria colombianos” dentro de suas fronteiras, operação que, segundo ele, conta com cooperação internacional.
Crescente tensão bilateral
O episódio ocorre em meio ao desgaste nas relações entre os dois países. Em fevereiro, Quito elevou em 30% as tarifas sobre produtos colombianos, medida apelidada de “taxa de segurança” por Noboa. Em retaliação, Bogotá suspendeu a venda de energia elétrica ao Equador e impôs tarifa equivalente sobre 70 itens importados do vizinho andino.
Parcerias de segurança com Washington
Paralelamente, o Equador vem intensificando acordos com os Estados Unidos sob o argumento de combater o narcotráfico. Na semana passada, foi inaugurada em Quito a primeira representação oficial do FBI no país. Decretos de estado de emergência e toques de recolher têm sido editados para viabilizar operações conjuntas, enquanto o governo Trump fortalece laços militares na América Latina para, segundo Washington, enfrentar cartéis de drogas e conter a influência de China e Rússia.
Cenário político interno no Equador
Internamente, Noboa enfrenta tensão política. A Justiça Eleitoral suspendeu por nove meses o registro do Revolução Cidadã, principal partido de oposição ligado ao ex-presidente Rafael Corrêa, em meio a investigação por suposta lavagem de dinheiro. A ex-candidata Luisa González, derrotada em 2025, nega as acusações e alega perseguição.
Com as fronteiras em alerta, trocas tarifárias e denúncias cruzadas, Colômbia e Equador entram em novo capítulo de atrito diplomático, agora marcado por suspeitas de bombardeio.
Com informações de Agência Brasil
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