A Secretaria de Estado da Saúde de Sergipe (SES), em parceria com a Fundação Estadual de Saúde (Funesa) e a Escola de Saúde Pública de Sergipe (ESP-SE), realizou na última quinta-feira, 12, uma capacitação voltada à investigação de óbitos que apresentam menção de tuberculose na declaração de morte. A atividade, que também foi pauta de reportagem transmitida pela Band, reuniu profissionais dos 15 municípios sergipanos considerados prioritários para o enfrentamento da doença.
Esses municípios concentram aproximadamente 80% da carga de tuberculose registrada no estado. Foram convidados coordenadores de vigilância epidemiológica municipal, integrantes das vigilâncias de óbitos e representantes dos núcleos hospitalares de vigilância epidemiológica. O treinamento detalhou procedimentos técnicos para análise de documentos, identificação de fatores que agravam os casos e revisão de falhas assistenciais, a fim de fortalecer o monitoramento epidemiológico.
Sergipe contabiliza, em média, 1.200 novos casos de tuberculose e cerca de 60 mortes por ano. Segundo a enfermeira Heide Mesquita, referência técnica estadual para a doença, qualificar a informação sobre a causa de morte é fundamental para ajustar as políticas públicas. “Quando o profissional investiga corretamente, conseguimos entender o que levou ao óbito, detectar falhas no acompanhamento e planejar ações mais eficazes”, afirmou.
Para o coordenador de Vigilância Epidemiológica de Nossa Senhora da Glória, Francisco Edilson, a iniciativa aprimora a qualidade dos dados e orienta as estratégias municipais. “Além de afetar parte significativa da população, a tuberculose está ligada a fatores sociais. No nosso município, por exemplo, existe uma unidade prisional com maior risco de transmissão. Entender cada caso nos ajuda a direcionar recursos e melhorar indicadores de saúde”, destacou.
Durante o encontro, equipes revisaram metodologias de investigação, instrumentos de coleta de dados e exemplos práticos de preenchimento da declaração de óbito. O objetivo é garantir que todas as informações relevantes sobre a doença sejam registradas de forma padronizada e tempestiva, permitindo intervenções mais rápidas nos serviços de saúde.
A enfermeira Maria da Conceição Seixas, que atua na Vigilância do Hospital de Urgências de Sergipe (Huse), reforçou que a identificação precoce e a adesão ao tratamento continuam sendo pilares do controle da tuberculose. “Sintomas como tosse persistente e febre precisam ser avaliados com atenção. No hospital, realizamos pesquisa de escarro e testes laboratoriais específicos para confirmar o diagnóstico e iniciar o tratamento imediatamente. Muitos pacientes ainda abandonam a terapia, o que aumenta o risco de agravamento e de transmissão. Capacitações como esta fortalecem as equipes e melhoram o cuidado prestado”, pontuou.
Ao final do treinamento, os participantes receberam material de apoio e orientações para replicar o conteúdo em suas unidades. A SES planeja monitorar o impacto da ação por meio dos indicadores de investigação de óbitos e das notificações de tuberculose, consolidando o trabalho conjunto entre estado e municípios na luta contra a enfermidade.
Com informações de Saude.se.gov
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