Petrobras diz ter margem para conter repasse da alta do petróleo ao consumidor brasileiro

Robson Alves
4 Min Leitura

A Petrobras informou que dispõe de instrumentos para reduzir o impacto da recente escalada do preço internacional do petróleo sobre o mercado brasileiro, preservando, ao mesmo tempo, a rentabilidade da companhia. O posicionamento foi divulgado nesta segunda-feira (9) e exibido em transmissões da Record e da Band.

Em nota, a estatal ressaltou que o cenário global permanece volátil por causa de guerras e tensões geopolíticas, mas garantiu estar “comprometida com a mitigação desses efeitos sobre o Brasil”. Segundo a empresa, a atual estratégia comercial passou a considerar “as melhores condições de refino e logística”, o que possibilita intervalos de maior estabilidade nos preços internos e reduz a transmissão imediata das variações externas.

“Essa abordagem diminui o repasse automático das oscilações internacionais para o mercado brasileiro e, ainda assim, resguarda nossa rentabilidade de forma sustentável”, destacou o comunicado. A companhia acrescentou que, por questões concorrenciais, não antecipa decisões específicas, mas reafirmou uma atuação “responsável, equilibrada e transparente para a sociedade brasileira”.

Cenário internacional pressiona cotações

A guerra no Irã e o fechamento do Estreito de Ormuz — rota por onde circula cerca de 25% do petróleo mundial — elevaram o barril Brent a US$ 120 na segunda-feira. Após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarar que o conflito pode estar próximo do fim, a cotação recuou para abaixo de US$ 100, patamar ainda superior à média de US$ 70 registrada antes do início das hostilidades.

Mesmo assim, o clima de incerteza persiste. Depois do fechamento dos mercados, Trump voltou a ameaçar Teerã com ataques “vinte vezes mais fortes” caso o bloqueio ao Estreito de Ormuz continue, alimentando temores de novas altas no preço do petróleo.

Mudança na política de preços amplia flexibilidade

Para a diretora técnica do Instituto de Estudos Estratégicos em Petróleo (Ineep), Ticiana Álvares, a capacidade da Petrobras de atenuar parte da pressão externa decorre do abandono, em 2023, da política de Paridade de Preço Internacional (PPI). O antigo modelo determinava o alinhamento quase automático dos valores internos aos praticados no mercado global.

“A companhia acompanhava 100% da trajetória internacional. Com a mudança, passou a considerar fatores internos, criando margem de manobra”, explicou a especialista. Apesar disso, ela pondera que o efeito é limitado e temporário, pois o país ainda é um grande importador de derivados, como gasolina e diesel, e conta com refinarias privatizadas — caso da Refinaria Landulpho Alves (Rlam), na Bahia. “Nesses ativos privados, há menos mecanismos para segurar os preços do que na Petrobras”, concluiu.

Com o cenário externo instável e a necessidade de importação de combustíveis, analistas avaliam que a estatal precisará calibrar continuamente sua política comercial para equilibrar custos, oferta interna e rentabilidade, enquanto consumidores e setores produtivos acompanham de perto a evolução das cotações.

Com informações de Agência Brasil

Compartilhe essa Notícia
Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.