O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu, na manhã desta segunda-feira (9), o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, no Palácio do Planalto, em Brasília. Durante o encontro, Lula propôs que os dois países desenvolvam, em conjunto, produtos para a indústria de defesa, ampliando a autonomia militar do chamado Sul Global.
Segundo ele, a convergência de necessidades entre Brasil e África do Sul cria ambiente favorável para uma “parceria estratégica” capaz de transformar as nações em mercado significativo para equipamentos bélicos. Lula avaliou que depender de fornecedores tradicionais — que chamou de “senhores das armas” — mantém os países em posição de vulnerabilidade e subordinação.
A agenda incluiu a assinatura de acordos bilaterais nas áreas de turismo, comércio exterior e indústria. Ramaphosa permanece em visita oficial ao Brasil até terça-feira (10).
Foco na paz regional
Apesar de defender o fortalecimento da capacidade militar própria, o chefe do Executivo brasileiro reiterou o caráter pacífico da América do Sul. Ele ressaltou que, na região, não há armas nucleares e que tecnologias como drones são utilizadas majoritariamente em atividades civis, incluindo agricultura, pesquisa científica e monitoramento ambiental.
Preocupação com Oriente Médio
Lula manifestou “profunda preocupação” com a escalada de violência no Oriente Médio após a ofensiva conjunta de Estados Unidos e Israel contra o Irã, iniciada em 28 de fevereiro. Os ataques resultaram na morte do líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, e de quase duas centenas de civis em Teerã.
Para o presidente, o conflito representa ameaça direta à segurança internacional, pressiona cadeias globais de energia e já provoca aumento do preço do petróleo em diversos mercados. Ele defendeu o diálogo diplomático como “única via” possível para uma solução duradoura e advertiu que os efeitos humanitários recaem com mais intensidade sobre mulheres e crianças.
Minerais críticos e desenvolvimento
Ao lado de Ramaphosa, Lula destacou o potencial dos dois países na exploração de minerais considerados essenciais para a transição energética e digital — as chamadas terras raras. Ele afirmou que o Brasil não repetirá o modelo histórico de exportar matéria-prima bruta e depois importar produtos acabados a preços muito superiores. Na avaliação do presidente, o fortalecimento das cadeias produtivas de mineração deve ser utilizado para melhorar as condições de vida da população.
Compromissos internacionais
Lula confirmou viagem a Barcelona, em 18 de abril, para participar da quarta reunião “Em defesa da Democracia”, a convite do primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez. Entre os temas a serem discutidos, citou a regulação do ambiente digital, o avanço da inteligência artificial e a valorização de fontes de informação de qualidade.
Encerrando a declaração, Lula recordou que Brasil e África do Sul partilham a convicção de que o Sul Global deve ocupar posição de maior destaque nos fóruns multilaterais e nas decisões de alcance planetário.
Com informações de Agência Brasil
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