Transmissão: Record
Ministros das Finanças das sete maiores economias industrializadas – Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha, França, Itália, Japão e Canadá – reuniram-se nesta segunda-feira (9) para discutir respostas à forte valorização do petróleo, que atingiu quase US$ 120 o barril. O encontro ocorreu em meio à escalada do conflito entre Irã, Estados Unidos e Israel e ao bloqueio do Estreito de Ormuz, rota por onde circula cerca de um quarto da produção mundial de óleo cru.
Embora o preço internacional já some alta aproximada de 30% desde o início da guerra, os integrantes do G7 optaram por não acionar, por ora, as reservas estratégicas. O grupo detém aproximadamente 1,2 bilhão de barris em estoques emergenciais, além de 600 milhões reservados por exigência legal.
Impacto imediato nos mercados
A interrupção da navegação em Ormuz derrubou bolsas de valores em diferentes continentes e reduziu a oferta de produtores do Golfo, como Bahrein e Catar. “Além dos desafios para atravessar o estreito, parte substantiva da produção foi cortada, criando riscos crescentes para o mercado”, alertou o diretor executivo da Agência Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol.
Para Ticiana Álvares, diretora técnica do Instituto de Estudos Estratégicos em Petróleo (Ineep), o mercado estimava um preço médio de cerca de US$ 70 o barril em 2026. Agora, a tendência é de pressão prolongada sobre Ásia e Europa, com efeitos globais caso o conflito se estenda. Segundo a AIE, 80% do petróleo que cruzou Ormuz em 2025 teve como destino países asiáticos.
Opções sobre a mesa
O ministro da Economia francês, Rolando Lescure, declarou que o G7 concordou em “usar todas as ferramentas necessárias” para estabilizar o mercado, incluindo eventual liberação dos estoques. Contudo, Ticiana Álvares pondera que as reservas internacionais sustentariam a oferta apenas por curto período.
Posicionamentos políticos
No Irã, o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, responsabilizou EUA e Israel pela escalada de preços. Ele advertiu que a política do presidente norte-americano, Donald Trump, “pode levar o mundo inteiro à ruína”. Trump, por sua vez, classificou o aumento do barril como “preço muito pequeno” a pagar pela segurança internacional e previu queda nas cotações assim que a “ameaça” iraniana for eliminada.
Movimentações militares e regulatórias
O presidente francês, Emmanuel Macron, anunciou o envio de uma dúzia de navios de guerra e um porta-aviões ao Mar Vermelho para garantir “livre navegação” próximo a Ormuz. Na Alemanha, o chanceler Friedrich Merz estuda impor limites aos reajustes de preços praticados por empresas petrolíferas, diante da disparada da energia.
Efeitos para o Brasil
Com a oferta do Oriente Médio comprometida, a Petrobras surge como fornecedora alternativa, avalia Ticiana Álvares. A estatal teria capacidade de aumentar produção e, internamente, amortecer temporariamente a alta dos combustíveis. O benefício, porém, é limitado, já que o país importa derivados como gasolina e diesel e possui refinarias privadas, entre elas a Rlam, na Bahia, vendida à iniciativa privada.
Especialistas alertam que, caso a guerra se prolongue, a combinação de inflação global e possível recessão poderá atingir a economia brasileira, mesmo com eventual ganho de receita para exportadores.
Com informações de Agência Brasil
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