Transmissão: Band
O Irã completa, neste domingo (8), uma semana praticamente desconectado do restante do mundo. Desde 28 de fevereiro, quando começaram os bombardeios de Estados Unidos e Israel contra alvos iranianos, o governo de Teerã mantém um rígido bloqueio à internet. De acordo com a plataforma de monitoramento NetBlocks, às 0h de sábado (7) o país acumulava mais de 168 horas consecutivas de corte, com a conectividade restrita a cerca de 1% do normal.
Bloqueios desse tipo não são incomuns no regime teocrático. Em janeiro, protestos de rua já haviam sido seguidos por semanas de interrupção dos serviços on-line, repetindo o que ocorrera durante a guerra de 12 dias travada com Israel em junho do ano passado.
Vida cotidiana paralisada
Sem acesso à rede global, tarefas rotineiras — como consultar o Google Maps ou buscar notícias — tornaram-se inviáveis. Restou apenas a intranet estatal, limitada a sites e aplicativos aprovados pelo governo. Para quem vive fora do país, o apagão multiplica a angústia.
Hayberd Avedian, integrante da associação juvenil Ayande e.V. na Alemanha, diz que acorda todos os dias temendo pelo paradeiro dos familiares em Teerã. “Minha primeira pergunta é: ‘meus pais estão vivos?’ Mesmo quando não há relatos de ataques na região deles, o pânico permanece porque não consigo confirmar”, relatou à DW.
Mitra B., de 50 anos, radicada na Alemanha desde 1979, também não consegue notícias. “Ainda não soube nada da minha tia. Minha esperança é que ela esteja viva e que o Irã se liberte logo deste regime”, afirmou.
Acesso privilegiado e tentativas de drible
Embora a maioria da população esteja isolada, cerca de 50 mil usuários ligados ao regime mantêm sinal pleno por meio dos chamados “chips brancos” — cartões SIM anônimos que garantem navegação irrestrita. Essas contas seguem ativas em redes sociais, difundindo conteúdo pró-governo.
Para os demais, ligações internacionais quase não completam, e as janelas de conexão são curtas. Muitos recorrem a VPNs, ao software Psiphon ou a assinaturas clandestinas do serviço de satélite Starlink. O uso, porém, é desestimulado por alertas oficiais.
Risco extra para civis
A falta de internet também afeta a segurança da população. As Forças de Defesa de Israel (IDF) costumam divulgar avisos de evacuação antes de ataques aéreos, mas esses alertas dificilmente alcançam quem vive em cidades iranianas. “Mensagens que poderiam salvar vidas não chegam a tempo”, explicou Avedian.
Tahireh Panahi, pesquisadora da Universidade de Kassel, avalia que o bloqueio tem impacto coletivo. Segundo ela, além de atrapalhar a organização de protestos, o silêncio digital impede que denúncias de violações de direitos humanos ultrapassem as fronteiras do país.
O bloqueio também complica a cobertura de veículos internacionais e abre espaço para desinformação, já que as vozes ligadas ao governo dominam as poucas plataformas ainda acessíveis. Especialistas defendem que restabelecer a conectividade é fundamental tanto para a segurança dos civis quanto para a circulação de relatos independentes sobre o conflito.
Com informações de G1
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