Dois pacientes que aguardavam na fila de transplante em Sergipe receberam novos rins nesta sexta-feira, 6, na Fundação Beneficente Hospital de Cirurgia (FBHC), em Aracaju. Os procedimentos foram possíveis após a família de um homem de 30 anos, vítima de traumatismo craniano, autorizar a doação de seus órgãos.
Logística estadual garante agilidade
A captação ocorreu no Hospital de Urgências de Sergipe Governador João Alves Filho (Huse). As equipes da Organização de Procura de Órgãos de Sergipe (OPO/SE) e da Central Estadual de Transplantes (CET/SE) coordenaram todo o trajeto até a sala cirúrgica. Nesse processo, foram retiradas as córneas e os dois rins, que permaneceram no estado, enquanto o fígado foi encaminhado para Salvador, na Bahia.
O urologista Diego Marques, integrante da equipe cirúrgica, afirmou que a logística implantada no território sergipano reduz o tempo de isquemia dos órgãos e melhora os resultados pós-operatórios. “Estes são o terceiro e o quarto transplante renal realizados na unidade, e, de forma especial, o mesmo doador atendeu a dois pacientes locais, retirando ambos da hemodiálise”, destacou.
Perfis dos transplantados
Entre os beneficiados está o aracajuano José Adriano dos Santos, de 27 anos. Nascido com apenas um rim funcional, ele perdeu totalmente a capacidade renal há quatro anos e dependia da hemodiálise três vezes por semana. “É um recomeço. Precisei deixar o trabalho e diversas atividades, mas agora volto a ter esperança”, declarou logo após a cirurgia.
O segundo receptor foi o frei paulista radicado em Sergipe José Charles dos Santos, de 54 anos, que enfrentava sessões de hemodiálise havia sete anos. “Chegava a ficar quatro horas ligado à máquina. Só tenho a agradecer e esperar uma vida melhor”, disse.
Contrato assegura continuidade do serviço
Os transplantes integram o contrato anual de mais de R$ 241 milhões firmado entre o Governo de Sergipe, por meio da Secretaria de Estado da Saúde (SES), e a FBHC. O acordo prevê não apenas cirurgias renais e hepáticas, mas cerca de 700 procedimentos de média e alta complexidade por mês, somando aproximadamente 8.300 por ano em especialidades como cardiologia, neurologia, vascular, ortopedia e oncologia. A estrutura ainda contempla 14.500 atendimentos ambulatoriais mensais, ultrapassando 174 mil ao ano, reduzindo a necessidade de deslocamento de pacientes para outros estados.
Procedimento para doação de órgãos
No Brasil, mesmo que a pessoa manifeste em vida o desejo de ser doadora, a autorização final cabe à família. O protocolo inicia-se com a identificação de pacientes em estado neurocrítico, acompanhados pela OPO/SE. Confirmada a morte encefálica, a CET/SE disponibiliza os órgãos a receptores compatíveis conforme as normas do Sistema Nacional de Transplantes (SNT), sob supervisão do Ministério Público.
O coordenador da CET/SE, Benito Oliveira, ressalta o avanço das doações no estado. “O transplante só acontece se houver doação. Qualquer um pode precisar e qualquer um pode doar. Informe sua família sobre sua decisão”, enfatizou.
Com informações de Saude.se.gov
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