O empresário e confidente José Fornos Rodrigues, conhecido como Pepito, lançou em Santos (SP) a obra “Pelé, o legado desconhecido”, na qual afirma que o maior talento do Rei do Futebol não se revelou apenas com a bola nos pés, mas principalmente em ações humanitárias longe dos gramados.
Transmissão: Record
Com 160 páginas distribuídas em 26 capítulos, o livro foi apresentado no Museu Pelé e percorre mais de seis décadas de convivência entre o autor e Edson Arantes do Nascimento. A narrativa começa no primeiro encontro, em 1962, quando Pepito ainda era músico profissional, e vai até a morte do ídolo, em dezembro de 2022, aos 82 anos, em decorrência de um câncer de cólon.
Pepito contou que só decidiu registrar as histórias após insistência da esposa e das filhas. “Elas lembraram que ninguém conheceu o Edson como eu”, disse em entrevista à TV Brasil. A condição imposta pelo ex-empresário foi clara: mostrar o Pelé fora do campo, já que, segundo ele, o mundo inteiro conhece o que o atleta fez dentro das quatro linhas.
A relação de amizade estreitou-se em 1967, quando Pepito ingressou na antiga companhia aérea Varig como promotor de vendas em Santos. O chefe o desafiou a fechar contrato com o Santos Futebol Clube. O acordo foi conquistado dois anos depois, garantindo ao time, então liderado por Pelé, viagens com a empresa. Em junho de 1969, na viagem da equipe à Itália para disputar a Recopa Mundial contra a Internazionale de Milão, Pepito acompanhou a delegação. Pouco depois, passou a viajar com o clube em caráter permanente.
Em 1971, logo após Pelé se despedir da seleção brasileira, o próprio jogador convidou Pepito a trabalhar exclusivamente para ele — convite que, segundo o autor, veio acompanhado da brincadeira de que seu “passe” fora comprado.
Testemunha de centenas de viagens, o escritor relata o assédio mundial ao camisa 10 e classifica o carisma do amigo como algo ainda não alcançado pelos grandes nomes do futebol atual. O livro frisa, porém, que esse reconhecimento público não revelava o lado generoso do Atleta do Século.
Entre as ações sociais atribuídas ao ex-jogador estão a construção de creches em Guarujá e São Vicente, a manutenção de um asilo, o custeio de dezenas de bolsas universitárias e o pagamento de despesas de pacientes que precisavam de tratamento médico no exterior. “Ele tinha um coração maior que o Pacaembu”, afirma Pepito, acrescentando que poucas dessas iniciativas foram divulgadas enquanto Pelé estava vivo.
O autor lembra, ainda, que a amizade era marcada por discussões francas. “Eu falava o que ele precisava ouvir, não o que gostaria”, comentou, ressaltando a teimosia do astro. Para Pepito, os leitores terão agora a chance de enxergar o tamanho da grandeza de Pelé também fora dos gramados.
Com informações de Agência Brasil
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