Principais potências europeias endossam ofensiva dos EUA e Israel contra o Irã; Espanha se opõe

Robson Alves
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Com raras exceções, governos da Europa Ocidental alinharam-se politicamente e, em alguns casos, militarmente aos Estados Unidos e a Israel na guerra iniciada contra o Irã em março de 2026. A Espanha desponta como o único país do bloco a criticar abertamente a intervenção, enquanto Reino Unido, França, Alemanha, Portugal e Itália manifestam apoio ou oferecem facilidades logísticas às forças lideradas por Washington.

Reino Unido, França e Alemanha assumem discurso comum

Reino Unido, França e Alemanha, os três membros europeus permanentes do Conselho de Segurança da ONU, evitaram classificar os bombardeios a Teerã como violação do direito internacional. Em vez disso, responsabilizaram o governo iraniano pela escalada, exigindo que o país aceite condições impostas por Washington e Tel Aviv. Ainda assim, nenhuma das capitais pediu reunião emergencial no Conselho, manobra que, segundo especialistas, atende ao desejo dos EUA de manter o debate fora das Nações Unidas.

Em Londres, o gabinete condenou apenas as retaliações iranianas contra bases norte-americanas no Oriente Médio e colocou instalações militares britânicas na região à disposição dos EUA para apoio logístico.

Paris, ao mesmo tempo em que anuncia reforço próprio de ogivas nucleares, despachou dois navios de guerra ao Oriente Médio para compor operações descritas como “defensivas”. Berlim, por sua vez, declarou não ser momento de “dar lições” aos aliados que atacaram o Irã e afirmou compartilhar do objetivo de promover mudança de regime em Teerã, oferecendo-se para participar de eventual reconstrução econômica pós-conflito.

Em nota conjunta, os três governos prometeram adotar “medidas defensivas necessárias” para neutralizar a capacidade iraniana de lançar mísseis e drones, qualificando as ações de Teerã como “ataques imprudentes”.

Portugal e Itália fornecem suporte indireto

Lisboa autorizou o uso condicionado das bases militares nos Açores por aeronaves norte-americanas, ainda que declare não participar diretamente dos ataques. O governo português voltou a cobrar do Irã o encerramento do programa nuclear. Já Roma não censurou a ofensiva inicial contra Teerã, mas criticou as respostas iranianas que atingiram instalações norte-americanas. Além disso, costura acordos de defesa com países do Golfo e expressa solidariedade à população iraniana, que, segundo o Executivo italiano, sofre “repressão injustificável”.

Análise de especialista

Para o historiador Francisco Carlos Teixeira da Silva, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, a postura de Londres, Paris e Berlim demonstra que a Europa “já escolheu um lado” no conflito. Ele ressalta que rotular o governo iraniano de criminoso em meio à guerra significa adesão política ao esforço militar liderado pelos EUA. O estudioso observa ainda que o ataque ocorreu durante negociações entre Washington e Teerã, o que, em sua avaliação, fragiliza a ordem jurídica internacional.

Teixeira interpreta o alinhamento europeu como tentativa de barganha com a Casa Branca, sobretudo diante de ameaças do ex-presidente Donald Trump de intervir na Groenlândia e questionar o futuro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Entre as capitais, o acadêmico aponta Berlim como a mais próxima de Washington, destacando a visita do chanceler Friedrich Merz à Casa Branca, onde classificou o governo iraniano como “assassino e bárbaro”.

Espanha fica isolada

Em Madri, o primeiro-ministro Pedro Sánchez condenou a ofensiva liderada por Trump e pelo premiê israelense Benjamin Netanyahu, dizendo que a questão central é o respeito ao direito internacional. Sánchez recordou as consequências da Guerra do Iraque, como o aumento do terrorismo jihadista e a alta nos preços da energia. A postura espanhola mereceu nota do jornal britânico Financial Times, que destacou a coragem do líder em desafiar abertamente Washington. Irritado, Trump chegou a ameaçar cortar relações comerciais com a Espanha, mas recuou após o governo espanhol negar “categoricamente” qualquer adesão ao esforço de guerra.

Irã reage

Como resposta ao apoio europeu à campanha militar, a Guarda Revolucionária do Irã advertiu que navios dos Estados Unidos, de Israel e de países europeus não devem transitar pelo Estreito de Ormuz, rota estratégica para grande parte do comércio global de petróleo.

Com informações de Agência Brasil

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Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.