China define

Robson Alves
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O governo chinês estabeleceu, nesta quinta-feira (5), um intervalo de 4,5% a 5% como meta oficial de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) para 2026.

A projeção foi apresentada pelo primeiro-ministro Li Qiang durante a leitura do relatório de trabalho do Executivo na sessão de abertura da Assembleia Nacional Popular (ANP), o mais alto órgão legislativo do país. A definição de uma faixa — em vez de um único número, como ocorria tradicionalmente — tem o objetivo de oferecer flexibilidade à formulação de políticas econômicas ao longo do ano.

Nos três exercícios anteriores, Pequim havia mirado um avanço “em torno de 5%”. Em 2025, o ritmo de crescimento ficou exatamente em 5%. Ao comentar o novo parâmetro, o documento ressalta que, apesar dos resultados positivos recentes, “dificuldades e desafios persistem”.

Motivos para cautela

Entre os obstáculos listados, o relatório cita a prolongada crise no mercado imobiliário, o aumento de riscos geopolíticos e a ameaça às cadeias de comércio livre. O texto observa desequilíbrio interno caracterizado por “oferta robusta e demanda fraca” e destaca a necessidade de acelerar a transição para novos motores de desenvolvimento.

No cenário externo, as exportações para os Estados Unidos seguem pressionadas pelas tarifas impostas pelo presidente norte-americano Donald Trump. Segundo o documento, a China conseguiu redirecionar parte das vendas para outras regiões, porém o ambiente internacional continua incerto.

Planejamento de longo prazo

Durante a mesma sessão, que reúne cerca de 3 mil delegados e é considerada o evento político mais relevante do calendário chinês, deve ser votado o novo plano quinquenal com vigência até 2030. A proposta inclui compromissos para fortalecer o mercado doméstico e aprofundar a estratégia do presidente Xi Jinping de posicionar o país como liderança global em tecnologia.

A meta de 4,5% a 5% leva em conta, de acordo com o relatório, a necessidade de “reservar espaço” para ajustes estruturais, prevenção de riscos e implementação de reformas já no primeiro ano do ciclo de planejamento. A intenção é criar bases sólidas que permitam “resultados ainda melhores” nos exercícios seguintes.

Ao final da apresentação, Li Qiang reforçou que o governo buscará, “na prática”, alcançar desempenho econômico dentro ou acima da faixa anunciada, sem descuidar de estabilidade financeira e social.

Com informações de Agência Brasil

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Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.