O chefe do Conselho de Segurança Nacional do Irã, Ali Larijani, declarou nesta segunda-feira, 2 de março, que Teerã não pretende abrir diálogo algum com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A afirmação foi feita em publicação na rede social X, onde o dirigente iraniano escreveu de forma categórica: “Não haverá negociação com os Estados Unidos”.
A manifestação de Larijani contraria a declaração feita por Trump no domingo, 1.º de março. Na ocasião, o líder norte-americano sustentou que o “novo comando” iraniano estaria disposto a conversar para encontrar uma saída diplomática para a escalada de tensões no Oriente Médio.
Na série de postagens, Larijani também acusou o presidente dos EUA de abandonar o lema “America First” e adotar o que chamou de “Israel First”. Segundo ele, Trump “arrastou toda a região para uma guerra desnecessária” e agora estaria “devidamente preocupado com as mortes de norte-americanos”. O chefe de Segurança acrescentou que o republicano estaria “sacrificando o tesouro e o sangue americano para promover as ambições expansionistas ilegítimas de Netanyahu”.
Ataques em curso
Os pronunciamentos ocorrem em meio à ofensiva militar conjunta conduzida por Estados Unidos e Israel contra alvos iranianos, iniciada no sábado, 28 de fevereiro. O próprio Trump confirmou que os bombardeios prosseguirão “até que os objetivos militares dos EUA sejam atingidos”.
Durante comunicado à imprensa, o presidente norte-americano exigiu que a Guarda Revolucionária Islâmica depusesse as armas, advertindo que, caso contrário, seus integrantes teriam de “encarar a morte”.
Informações de Teerã apontam que os ataques aéreos resultaram na morte do líder supremo do Irã, aiatolá Ali Hamenei, e do ex-presidente Mahmoud Ahmadinejad. Não há, até o momento, confirmação independente sobre o número total de vítimas civis ou militares.
Repercussão internacional
A negativa pública de Larijani reforça a percepção de que não há abertura para negociações no curto prazo. Enquanto Washington mantém a pressão militar, autoridades israelenses também indicam ampliação das operações. No domingo, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou que a ofensiva contra o Irã será “intensificada”.
Analistas consultados por veículos internacionais avaliam que o impasse se aprofunda diante da ausência de canais diplomáticos formais. Diplomatas europeus ouvidos sob condição de anonimato veem “pouco espaço” para mediação enquanto a retórica dos dois lados permanecer inalterada.
Do lado iraniano, líderes políticos reiteraram que consideram a presença militar dos EUA no Oriente Médio como fator de instabilidade. Já o governo norte-americano sustenta que as ações têm caráter “defensivo” e visam proteger interesses estratégicos na região.
Em meio ao recrudescimento do conflito, organizações humanitárias alertam para o risco de crise regional de grandes proporções, caso não haja cessar-fogo nos próximos dias.
Até esta segunda-feira, não havia sinal de retomada de contato entre Teerã e Washington, mantendo-se, portanto, o impasse descrito por Larijani em sua mensagem: nenhuma negociação à vista.
Com informações de Agência Brasil
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