Embaixador relata que brasileiros permanecem no Irã sem pedir retirada

Robson Alves
3 Min Leitura

Nenhum cidadão brasileiro solicitou ajuda do governo para deixar o Irã, informou, nesta segunda-feira (2), o embaixador do Brasil em Teerã, André Veras Guimarães.

Em entrevista ao programa Alô Alô Brasil, da Rádio Nacional, o diplomata disse acompanhar de perto a situação após a série de ataques dos Estados Unidos e de países aliados no fim de semana. Até o momento, não há registro de brasileiros feridos.

Comunidade reduzida

Segundo Guimarães, vivem no território iraniano cerca de 200 brasileiros, a maioria mulheres que se casaram com cidadãos locais e formaram família na região. O embaixador mantém contato com o grupo por meio de um aplicativo de mensagens, ferramenta que sofre interrupções frequentes em razão de eventuais bloqueios de internet.

“Caso alguém precisasse de assistência já teria avisado”, afirmou. O diplomata acrescentou que o único brasileiro que deixou o país recente­mente é um treinador de futebol, que viajou até a Turquia por meios próprios.

Avaliação diária de segurança

Guimarães explicou que a orientação de Brasília é oferecer apoio aos compatriotas, proteger os servidores da missão diplomática e relatar continuamente o cenário para permitir decisões rápidas. Ele considera precipitado falar em evacuação da embaixada, mas reconhece que o quadro inspira cautela: “A cada momento avaliamos se há condições de permanência”.

Apesar dos bombardeios diários, os alvos têm sido instalações militares e governamentais. De acordo com o embaixador, não há falta de energia ou água, os mercados continuam abastecidos e poucas pessoas circulam nas ruas da capital. Mesmo assim, ele admite o risco de danos colaterais.

“Os ataques são constantes, com bombas muito potentes”, descreveu.

Impacto político

Para o representante brasileiro, é improvável que a atual campanha militar derrube o governo iraniano, como deseja o presidente norte-americano, Donald Trump. Guimarães argumenta que o sistema político persa, estruturado há quatro décadas, possui mecanismos constitucionais para substituir autoridades e tende a preservar-se.

O Irã vive momento delicado desde o assassinato do líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, no sábado (28). No domingo (1º), foi criado um conselho colegiado para assumir as funções de chefia de Estado.

Embora classifique o ambiente como “de muita apreensão”, o embaixador reitera que, por ora, as condições de vida em Teerã permitem a continuidade das atividades diplomáticas e que, caso o quadro se agrave, novas medidas serão consideradas.

Com informações de Agência Brasil

Compartilhe essa Notícia
Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.