Diário de mediador indica abrupta mudança nas tratativas entre EUA e Irã antes de ofensiva militar

Robson Alves
4 Min Leitura

Publicações do ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr AlBusaidi, encarregado de mediar as conversas sobre o programa nuclear iraniano, revelam que a expectativa de avanço diplomático entre Estados Unidos e Irã desmoronou em apenas 48 horas, culminando em um ataque conjunto de EUA e Israel a cidades iranianas no sábado, 28 de fevereiro.

A ofensiva ocorreu enquanto representantes do presidente norte-americano Donald Trump e do líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, mantinham nova rodada de aproximação para discutir limites ao enriquecimento de urânio. Segundo o Crescente Vermelho, os bombardeios deixaram 201 mortos e 747 feridos; somente em uma escola feminina no sul do país, 85 alunas morreram.

Antecedentes do acordo

O tema nuclear domina a agenda bilateral há anos. Em 2015, o então presidente norte-americano Barack Obama firmou compromisso que restringia a capacidade iraniana de enriquecer urânio em troca da retirada de sanções econômicas. Em 2018, já no cargo, Trump retirou Washington do pacto, mas reabriu canais em 2025, durante seu segundo mandato, solicitando novo entendimento.

Com a ameaça de escalada militar, Teerã retornou à mesa de negociação sob intermediação de Omã, país vizinho ao sul que controla parte estratégica do Estreito de Ormuz, rota de cerca de 20% do petróleo mundial. Especialistas temem que um eventual bloqueio iraniano eleve ainda mais os preços da commodity.

Cronologia nas redes sociais

22 de fevereiro – Pelo X (antigo Twitter), AlBusaidi comemora a confirmação de encontro entre as partes em Genebra, previsto para quinta-feira, 26, destacando “impulso positivo” para concluir um acordo.

26 de fevereiro – Ao fim da rodada na Suíça, o mediador relata “progresso significativo” e informa que negociadores voltariam aos seus países para consultas, com debates técnicos programados para Viena na semana seguinte.

27 de fevereiro – Em foto com o vice-presidente norte-americano J.D. Vance, AlBusaidi descreve troca de detalhes do diálogo em curso: “A paz está ao nosso alcance”, ressalta. No mesmo dia, concede entrevista à CBS News defendendo pacto com “estoque zero” de armas nucleares e verificação abrangente.

28 de fevereiro – Poucas horas antes da ofensiva, o ministro muda o tom: diz-se “consternado” porque “negociações ativas e sérias foram mais uma vez prejudicadas”. Ele pede que Washington “não se deixe arrastar ainda mais” e afirma rezar “pelos inocentes que irão sofrer”.

Consequências imediatas

Após o ataque, holofotes voltaram-se ao Estreito de Ormuz por temor de represália iraniana e impacto nos mercados de energia. O Conselho de Segurança da ONU convocou reunião de emergência, enquanto Israel declarou ter utilizado cerca de 200 caças para atingir mais de 500 alvos em território iraniano.

Mesmo diante da escalada, Omã mantém-se disponível para retomar a mediação. A continuidade ou não das tratativas dependerá, segundo observadores, da capacidade de conter novos episódios militares em curto prazo.

Com informações de Agência Brasil

Compartilhe essa Notícia
Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.