Sob bombardeios recentes e em meio a forte turbulência doméstica, o Irã mantém a terceira maior reserva comprovada de petróleo do planeta. Localizado no Golfo Pérsico, o país detinha, em 2025, volume estimado em 209 bilhões de barris, ficando atrás apenas de Venezuela e Arábia Saudita e superando amplamente os 74 bilhões de barris dos Estados Unidos.
Além da dimensão energética, o Irã vive profunda crise econômica que tem levado milhares de pessoas às ruas. As atuais manifestações reproduzem demandas apresentadas em anos anteriores: em dezembro de 2017, atos iniciados em Mashhad, segunda maior cidade iraniana, espalharam-se por todo o território contra o cerceamento de direitos, inclusive políticos. No início deste ano, protestos estudantis foram retomados um mês após forte repressão governamental; confrontos diretos entre agentes de segurança e manifestantes resultaram na morte de centenas de pessoas, segundo a BBC, e chegaram a provocar bloqueio total da internet por ordem do governo.
O ambiente de tensão interna ocorre quando Estados Unidos e Israel intensificam ações militares. Tel-Aviv afirmou ter mobilizado cerca de 200 caças para atacar mais de 500 alvos dentro do Irã, ofensiva que deixou pelo menos 201 mortos e aproximadamente 750 feridos. O presidente norte-americano, Donald Trump, justifica a intervenção com base no programa nuclear iraniano, classificado por Washington como ameaça global. Críticos da Casa Branca, contudo, sustentam que a real motivação estaria nas vastas reservas de petróleo iranianas.
A instabilidade no Oriente Médio já levanta expectativa de alta nos preços internacionais do petróleo, avaliam especialistas. O cenário ganhou mais contornos após o sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro, em janeiro, sob acusação de liderar um cartel de narcotráfico. A Venezuela, que também possui grandes reservas, é aliada do Irã e de Cuba — país que sofreu ameaça de novas taxações norte-americanas caso continue a importar petróleo venezuelano.
Mesmo com restrições severas à liberdade de imprensa — o Irã ocupa a quinta pior posição na classificação 2025 da Repórteres sem Fronteiras —, veículos internacionais relatam o clima de convulsão social. As reportagens descrevem repressão a atos públicos, perseguição a jornalistas e a retomada das mobilizações universitárias, elementos que tornam imprevisível a situação interna.
Apesar do contexto conturbado, Teerã segue como parceiro comercial relevante para o Brasil. No ano passado, o intercâmbio bilateral somou quase US$ 3 bilhões. As exportações brasileiras concentram-se em commodities como milho e soja, enquanto 0,84% das importações nacionais correspondem, majoritariamente, a adubos e fertilizantes iranianos.
Com informações de Agência Brasil
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