Banqueiro Daniel Vorcaro confirma que não comparecerá à CPMI do INSS

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Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, não irá participar da oitiva marcada para segunda-feira (23) na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que apura fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A decisão foi confirmada pelo advogado Roberto Podval, que representa o banqueiro.

A ausência de Vorcaro está respaldada em despacho do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Na quinta-feira (19), o magistrado determinou que o empresário não é obrigado a prestar depoimento, pois figura como investigado nos procedimentos que examinam irregularidades envolvendo o Banco Master. Com o mesmo fundamento, Mendonça também liberou o investigado de comparecer à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), onde havia audiência marcada para terça-feira (24).

O presidente da CPMI do INSS, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), confirmou por meio de sua assessoria que a convocação do banqueiro foi cancelada. A pauta da reunião já foi ajustada para refletir a mudança.

Quebra de sigilo restaurada

Em outra decisão, o ministro André Mendonça restituiu à CPMI o acesso aos dados obtidos por meio da quebra de sigilo telemático, bancário e telefônico de Daniel Vorcaro. A determinação atendeu a pedido da própria comissão, revertendo medida anterior do ministro Dias Toffoli, que havia transferido o material para a Presidência do Senado.

O despacho de Mendonça também ordenou o envio imediato das informações à Polícia Federal (PF), responsável pela investigação das fraudes atribuídas ao Banco Master. Após análise, a corporação deverá compartilhar os dados com a CPMI. Para o deputado Alfredo Gaspar, a medida representa “vitória da transparência” e reforça os trabalhos do colegiado.

Entenda o caso

O Banco Master passou a ser alvo da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal em novembro de 2025. As investigações miram suposta concessão de créditos falsos, além de descontos irregulares em aposentadorias via empréstimos consignados. Há ainda suspeita de tentativa de venda fraudulenta da instituição ao Banco Regional de Brasília (BRB), entidade financeira pública vinculada ao governo do Distrito Federal.

Segundo estimativas preliminares levantadas pela PF, o prejuízo causado pelas manobras pode atingir R$ 17 bilhões. As apurações motivaram a criação da CPMI do INSS, que busca responsabilizar envolvidos e propor mudanças para evitar novas fraudes no sistema de benefícios previdenciários.

Mesmo sem o depoimento de Daniel Vorcaro, a comissão pretende avançar na análise dos documentos recuperados e ouvir outros convocados. O calendário de oitivas deverá ser reorganizado nos próximos dias para contemplar as novas frentes de investigação.

Com informações de Agência Brasil

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