O governo do Reino Unido anunciou nesta segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026, que vai apertar o cerco regulatório sobre chatbots de inteligência artificial, colocando essas ferramentas sob as mesmas exigências de segurança online que já valem para outras plataformas digitais. A decisão surge na esteira da polêmica em torno do Grok, sistema de IA vinculado à rede social X, capaz de criar imagens de nudez falsas a partir de fotografias reais.
Durante visita a um centro social em Londres, o primeiro-ministro Keir Starmer declarou que pretende eliminar “as falhas que colocam crianças em perigo”. Segundo ele, “nenhuma plataforma terá passe livre” diante das novas regras. A declaração sinaliza uma mudança de tom do Executivo, que em janeiro de 2025 havia manifestado intenção de atrair empresas de IA com promessa de menor regulação.
Investigação do regulador
O Ofcom, órgão responsável por fiscalizar a internet no país, abriu em 12 de janeiro investigação para apurar se a rede X descumpriu obrigações de moderar conteúdos ilegais e proteger menores. O processo segue em andamento. O regulador destacou, entretanto, que a legislação atual — o Online Safety Act — não alcança todos os chatbots, especialmente aqueles que apenas permitem interação direta entre usuário e inteligência artificial, sem contato com terceiros. De acordo com o Ofcom, essa lacuna impede ações punitivas em determinadas circunstâncias.
Para fechar a brecha, o governo trabalhista prepara uma emenda à Lei sobre Crime e Policiamento. O texto obrigará qualquer chatbot operando no Reino Unido a adotar mecanismos de proteção contra conteúdos ilegais, sob pena de multas que podem chegar a 10% do faturamento global da empresa responsável.
Bem-estar infantil em pauta
Além da emenda, o Executivo pretende acrescentar ao projeto de lei sobre bem-estar infantil dispositivos que permitam intervenções rápidas — “em poucos meses”, conforme o gabinete de Starmer — diante de avanços tecnológicos que coloquem menores em risco. A proposta inclui ainda a abertura de uma consulta pública para discutir o bem-estar digital de crianças e adolescentes.
Imagem: Reprodução/X
Entre os temas que serão avaliados estão a possível proibição de acesso a redes sociais por menores de 16 anos e a limitação de funcionalidades como o “scroll infinito”, mecanismo que renova o conteúdo automaticamente enquanto o usuário desliza a tela. Segundo o governo, medidas adicionais poderão ser anunciadas conforme o resultado da consulta e a evolução das tecnologias de IA.
O Grok, ferramenta gratuita da plataforma X, tornou-se alvo de forte crítica internacional por permitir a criação de imagens íntimas falsas. A controvérsia levou autoridades britânicas a revisar de forma acelerada o arcabouço regulatório, evidenciando a pressão crescente sobre empresas de tecnologia para ampliar a proteção de usuários, especialmente crianças e adolescentes.
Com informações de G1
Siga o Foco SE e entre no nosso grupo de notícias de Sergipe.



