Fernando Alonso voltou a questionar o rumo tecnológico da Fórmula 1. No paddock de Sakhir, o bicampeão afirmou que a influência dos competidores diminuiu drasticamente com os monopostos da geração atual e recorreu a uma ironia para ilustrar o ponto de vista: “Um chef de cozinha faria a curva 12 do Bahrein”, declarou o espanhol.
O comentário surgiu quando jornalistas perguntaram se os pilotos aprovam os modelos introduzidos em 2022 — mais pesados e com forte dependência do efeito solo. Segundo Alonso, o aumento da aderência aerodinâmica, combinado com pneus de maior diâmetro, transformou curvas de alta velocidade em trechos sem desafio. “Não sinto que façamos diferença. O carro gruda no chão e qualquer pessoa, se seguisse o traçado ideal, completaria aquela curva de olho fechado”, acrescentou.
Alonso reconheceu que ainda há espaço para talento em frenagens e saídas de curva de baixa velocidade, mas ressaltou que a margem diminuiu. “O peso extra complica a pilotagem em setores lentos, mas, no geral, a performance vem muito mais do pacote que temos nas mãos do que da habilidade de quem está ao volante”, avaliou.
Debate ampliado no paddock
A discussão sobre o papel dos pilotos ganhou força durante a etapa do Bahrein. Max Verstappen, tricampeão mundial, também criticou o conceito em desenvolvimento para 2026 e disparou: “Parece Fórmula E com esteroides”. Embora falasse especificamente dos simuladores para o novo regulamento, o holandês reforçou a tese de que a categoria corre o risco de se distanciar do fator humano.
No mesmo contexto, Alonso destacou que a Fórmula 1 deveria buscar soluções para devolver protagonismo aos competidores. Para ele, reduzir a carga aerodinâmica ou o peso total seria um caminho. “Quanto menos dependermos de números no túnel de vento, mais veremos a diferença entre os melhores e o resto”, opinou o piloto da Aston Martin, sem sugerir mudanças específicas de forma detalhada.
Imagem: Divulgação
O espanhol finalizou dizendo que continuará pressionando a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) e a Fórmula 1 por alterações que valorizem o talento individual. “Não quero chegar ao ponto em que um simulador entregue tudo pronto e o piloto seja apenas passageiro. Precisamos resgatar a essência do esporte”, concluiu.
Com informações de Motorsport.uol
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