X contesta testes da ANPD e pede esclarecimentos sobre suposta continuidade de imagens eróticas geradas pelo Grok

William Kevim
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São Paulo – A plataforma X enviou, na quinta-feira (12), uma resposta à Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) questionando a metodologia que apontou a persistência de imagens sexualizadas produzidas, sem consentimento, pela ferramenta de inteligência artificial Grok.

No documento, a rede social solicita que o prazo de cinco dias úteis, já estipulado por ANPD, Ministério Público Federal (MPF) e Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) para correção das falhas, passe a valer apenas depois de detalhados os procedimentos usados nos testes.

Determinação anterior dos órgãos de controle

Em janeiro, os três órgãos haviam determinado que o X bloqueasse a geração, pelo Grok, de conteúdos sexualizados envolvendo crianças e adolescentes ou adultos que não autorizaram o uso de suas imagens. A medida foi tomada após uma onda internacional de denúncias sobre a adulteração de fotos de mulheres, nas quais apareciam nuas ou de biquíni.

Na terça-feira (11), porém, novos ensaios conduzidos pelos fiscalizadores apontaram que as falhas permanecem; além disso, as entidades afirmaram não ter recebido provas concretas de eficácia dos ajustes feitos até o momento. Foi então definido o prazo de cinco dias úteis para que o X apresente mecanismos capazes de barrar definitivamente esse tipo de geração de conteúdo, sob pena de multas ou ações judiciais. O ofício divulgado, contudo, não precisou quando a contagem do tempo teve início.

Critérios dos testes são questionados

Segundo a manifestação da empresa, a nota técnica que sustentou a decisão não informa qual versão do Grok foi testada, quais comandos (prompts) foram inseridos nem quais resultados foram obtidos. Outro ponto contestado é a referência ao endereço grokimagine.ai. De acordo com a companhia, o domínio “não pertence, não é administrado e não mantém qualquer relação” com seus serviços oficiais, limitados a Grok.com e à própria rede social X.

Sem dados mais precisos, a plataforma alega não ser possível garantir que as avaliações foram conduzidas dentro dos seus domínios. Caso se confirme que as imagens analisadas se originaram de soluções de terceiros, o X pede a suspensão imediata das medidas aplicadas.

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Imagem: REUTERS/Dado Ruvic/Illustration

Rastros na internet

Verificação da Reuters identificou que o endereço grokimagine.ai redireciona para grokimaginex.ai, site que exibe logotipo semelhante ao da IA de Elon Musk e anuncia a “Grok Imagine AI Platform”. Ao inserir um pedido de criação de imagem, o usuário é levado ao endereço imaginex.video, onde há diferentes modelos de inteligência artificial, entre eles um chamado “Imagine”, que afirma usar o Grok. A agência, entretanto, não confirmou integração real com a plataforma da rede social.

No mesmo teste, ao solicitar “coloque essa pessoa em um biquíni” utilizando a foto corporal de um repórter, o modelo “Imagine” informou violar políticas de segurança. Já outro modelo, batizado de “Smart” e sem menções ao Grok, conseguiu produzir a figura editada conforme o comando.

Até a publicação desta reportagem, ANPD e MPF não haviam comentado a resposta da empresa. A Senacon mantém, por ora, as exigências de bloqueio e a possibilidade de punições, caso as falhas não sejam sanadas.

Com informações de G1

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William Kevim é profissional de tecnologia com profunda paixão por cultura e entretenimento. Frequentador assíduo de teatros e cinemas, acompanha de perto lançamentos musicais, produções cinematográficas e o universo dos animes. Colabora com os portais do R2 Mídia Group trazendo pautas leves, culturais e de entretenimento com entusiasmo e olhar apurado.