Câmara aprova urgência para projeto que autoriza quebra de patente do Mounjaro e do Zepbound

Claudio Vasconcelos
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A Câmara dos Deputados aprovou, nesta segunda-feira (9), um requerimento de urgência que permite levar diretamente ao plenário o Projeto de Lei (PL) 68/2026, que declara os medicamentos Mounjaro e Zepbound como de interesse público e autoriza a quebra de suas patentes.

A proposta, apresentada pelos deputados Antonio Brito (PSD-BA) e Mário Heringer (PDT-MG), recebeu 337 votos favoráveis e 19 contrários. Com o regime de urgência, o texto deixa de passar pelas comissões temáticas e pode ser incluído na pauta de votações a qualquer momento.

Fármacos visados

Mounjaro e Zepbound pertencem à classe dos agonistas do receptor GLP-1, popularmente conhecidos como “canetas emagrecedoras”. Esses fármacos, que utilizam a substância tirzepatida, têm sido prescritos para controle glicêmico em pacientes com diabetes tipo 2 e para redução de peso, o que ampliou a demanda no mercado.

Alerta sanitário

A movimentação legislativa ocorre paralelamente a alertas de segurança emitidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A agência divulgou comunicado de farmacovigilância chamando atenção para o aumento de notificações de eventos adversos associados ao uso inadequado de canetas emagrecedoras. Entre os riscos apontados está a pancreatite aguda, inclusive em formas necrotizantes e potencialmente fatais.

O aviso da Anvisa abrange medicamentos que contêm dulaglutida, liraglutida, semaglutida e tirzepatida – categoria na qual se enquadram Mounjaro e Zepbound. Segundo o órgão regulador, a possibilidade de ocorrência desses efeitos consta nas bulas aprovadas no Brasil, mas o crescimento das notificações, no país e no exterior, motivou o reforço das orientações de segurança a profissionais de saúde e pacientes.

No início do mês, a Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos de Saúde (MHRA), do Reino Unido, publicou alerta semelhante sobre o risco – ainda que considerado reduzido – de pancreatite aguda grave em usuários de medicamentos da mesma classe.

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Imagem: Reuters/George Frey/proibida reprodução

Próximos passos

Com o requerimento de urgência já aprovado, os líderes partidários podem negociar a inclusão do PL 68/2026 na ordem do dia. Caso o texto seja aprovado em plenário, a matéria seguirá para análise do Senado. Se houver alterações, retornará à Câmara; se não, será encaminhada à sanção presidencial.

O projeto prevê que, ao declarar os medicamentos de interesse público, o governo poderá emitir licença compulsória, permitindo que outros laboratórios produzam versões genéricas antes do fim da vigência da patente. A justificativa dos autores é ampliar o acesso e reduzir o custo para o Sistema Único de Saúde (SUS).

Não há prazo definido para a votação final, mas a aprovação do regime de urgência sinaliza prioridade na pauta legislativa.

Com informações de Agência Brasil

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Claudio Vasconcelos é jornalista veterano com vasta experiência em coberturas políticas e esportivas em Sergipe. Natural de Canindé de São Francisco, construiu sua trajetória na imprensa sergipana com foco em jornalismo de raiz, privilegiando apuração rigorosa e compromisso com a informação. Apaixonado pelo futebol e pelos bastidores da política, traz perspectiva experiente e bem fundamentada para cada matéria.