Uma nova tendência no TikTok, batizada de “Pingtok”, vem expondo publicamente o uso de drogas entre adolescentes e jovens adultos. Nos vídeos, usuários aparecem com pupilas dilatadas e comportamentos eufóricos, indicativos de consumo de substâncias como MDMA — droga conhecida na gíria inglesa como “ping”. As postagens somam milhões de visualizações e são normalmente marcadas por hashtags que variam da forma original #Pingtok a adaptações como #Pingtokk ou #Pintok, criadas para driblar a moderação da plataforma.
Influenciadora relata busca por ajuda de menores
Sara h*, de 26 anos, usa o próprio histórico de dependência para alertar seguidores no TikTok sobre os riscos do consumo. Viciada aos 15, ela afirma receber diariamente mensagens de crianças e adolescentes que relatam experiências traumáticas com drogas. “Eles não têm com quem conversar”, declarou à emissora alemã DW.
Algoritmo impulsiona conteúdo e facilita o contato
Basta uma busca rápida para que o usuário se depare com uma sequência de vídeos ligados ao tema. Quanto mais o feed é percorrido, mais o algoritmo entrega conteúdos semelhantes, aumentando a exposição ao assunto. Procurado pela DW, um porta-voz do TikTok afirmou que “a segurança da comunidade é prioridade” e garantiu que mais de 99% das publicações que violam as regras sobre exibição ou venda de drogas são removidas antes de qualquer denúncia.
Códigos, emojis e algospeak
Apesar das políticas oficiais, criadores usam linguagem cifrada — emojis, sons ou termos alternativos — para escapar de filtros automáticos e manter o material no ar. Esse artifício, conhecido como algospeak, torna a identificação rápida mais difícil e prolonga a circulação dos vídeos.
Mercado informal se instala nos comentários
A prática também abriu espaço para o tráfico virtual. Em seção de comentários, expressões como “quem vende?” ou “preciso em Berlim” recebem respostas de supostos traficantes, que utilizam símbolos como o plugue de carregamento para sinalizar disponibilidade e, depois, migram a negociação para grupos no Telegram.
Mortes em alta e pressão por regulação
Dados do Departamento Federal de Polícia Criminal da Alemanha revelam que as mortes relacionadas a drogas quase dobraram na última década. Entre menores de 30 anos, o salto foi de 14% apenas em 2024. Nos Estados Unidos, estudos indicam que mais de dois terços das overdoses fatais ocorrem dentro de casa, sem chance de socorro imediato.
Com o avanço de casos e a presença de menores em redes sociais, governos intensificam medidas de proteção. A Austrália instituiu, em dezembro, a proibição de plataformas para menores de 16 anos. Reino Unido, Dinamarca e França discutem restrições similares, enquanto a União Europeia avalia se as empresas cumprem obrigações de resguardar o público infantil.
Imagem: AP/Matt Slocum/Arquivo
Prevenção também acontece online
A pesquisadora Layla Bouzoubaa, que analisou centenas de vídeos sobre drogas no TikTok, constatou que mais da metade aborda prevenção, recuperação do vício ou pedido de ajuda. Para ela, banir integralmente o conteúdo pode eliminar um espaço vital de apoio. “As plataformas precisam dialogar com as comunidades afetadas”, defendeu.
Sara h concorda e reforça que a atuação de agentes de saúde e assistência social deve se expandir ao ambiente digital. “É importante visitar ruas e escolas, mas também estar onde os jovens passam a maior parte do tempo: online”, observou.
*Sobrenome omitido a pedido da entrevistada.
Com informações de G1
Siga o Foco SE e entre no nosso grupo de notícias de Sergipe.



