O Conselho Presidencial de Transição (CPT) do Haiti encerrou oficialmente o mandato de dois anos neste sábado (7), durante cerimônia em Porto Príncipe, depois de receber um ultimato de Washington para manter no poder o primeiro-ministro Alix Didier Fils-Aimé. A medida põe fim à participação do colegiado no Executivo, mas mantém o gabinete ministerial liderado por Fils-Aimé à frente do país.
Ao discursar, o presidente do CPT, Laurent Saint-Cyr, afirmou que o Haiti não ficará sem comando. “A continuidade será garantida pelo Conselho de Ministros, sob a direção do primeiro-ministro. A prioridade é clara: segurança, diálogo político, eleições e estabilidade”, declarou.
Crise política
Formado por nove representantes de diferentes setores da sociedade, o CPT assumiu em abril de 2024, depois da renúncia de Ariel Henry. Henry estava no cargo desde julho de 2021, quando o presidente Jovenel Moïse foi assassinado. A missão do conselho era organizar eleições gerais e recuperar áreas de Porto Príncipe dominadas por gangues armadas.
Às vésperas do término de seu mandato, o colegiado sinalizou que poderia destituir Fils-Aimé, indicado pelo próprio CPT para conduzir o governo até o pleito previsto entre outubro e novembro deste ano. A possibilidade de troca provocou reação imediata dos Estados Unidos.
Pressão de Washington
O governo de Donald Trump enviou três navios de guerra — o destróier USS Stockdale e os navios-patrulha USCGC Stone e USCGC Diligence — à Baía de Porto Príncipe, dentro da Operação Lança do Sul. Em nota, a embaixada norte-americana destacou que a presença naval demonstra “o compromisso inabalável dos EUA com a segurança, a estabilidade e um futuro melhor para o Haiti” e avisou que qualquer mudança na composição do governo seria tratada como ameaça à estabilidade regional.
Situação de segurança
O especialista em Haiti Ricardo Seitenfus, professor aposentado da Universidade Federal de Santa Maria, disse à Agência Brasil que integrantes do CPT tentaram, sem sucesso, retirar Fils-Aimé do cargo antes de deixar o poder. Segundo ele, o primeiro-ministro “demonstrou capacidade de articulação” e por isso teria se tornado alvo de manobras internas.
Imagem: Laurent Saint-Cyr/Alix Didier Fils-Aimé/X
Seitenfus passou dez dias em Porto Príncipe e relatou melhora na segurança. “Os bairros estão sendo liberados das gangues, que tendem a se deslocar para outras áreas”, afirmou. Para o pesquisador, realizar eleições rapidamente é essencial: “As eleições não solucionam tudo, mas sem elas nada se resolve.”
Forças de apoio
Desde o assassinato de Moïse, o governo haitiano busca reforço externo para restaurar a ordem. Entre as medidas está a missão internacional de policiais liderada pelo Quênia, depois absorvida pela Força Multinacional de Repressão a Gangues aprovada pelo Conselho de Segurança da ONU. Paralelamente, autoridades recorreram à contratação de mercenários estrangeiros para combater grupos armados.
Com o fim do mandato do CPT, cabe agora ao gabinete de Fils-Aimé conduzir o país até as eleições gerais e avançar no desmonte das quadrilhas que ainda controlam partes da capital haitiana.
Com informações de Agência Brasil
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