Casal descobre vídeo íntimo gravado em hotel chinês; investigação aponta rede de câmeras escondidas

William Kevim
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Um casal que se hospedou em um hotel de Shenzhen, no sul da China, descobriu que sua estadia havia sido registrada por uma câmera oculta e divulgada na internet a milhares de pessoas. Eric e Emily, nomes fictícios usados para preservar as vítimas, se viram nas imagens três semanas depois do pernoite, quando Eric acessava um canal no Telegram dedicado a pornografia.

Flagrados sem autorização

O vídeo mostrava a chegada dos hóspedes, o momento em que guardam as malas e, depois, a relação sexual. O material, editado em cerca de uma hora, passou a circular em um grupo que já reunia até 10 mil integrantes, segundo levantamento da BBC. Ao perceber que havia sido filmado, Eric relatou ter perdido o interesse em conteúdos do tipo e afirmou temer novas divulgações.

Prática ilegal, mas disseminada

A produção e a distribuição de pornografia são proibidas na China há mais de uma década, porém a “pornografia de câmera escondida” segue em expansão. Em abril de 2023, o governo chinês determinou que hotéis façam inspeções regulares para identificar dispositivos clandestinos, mas especialistas avaliam que o risco permanece. No Brasil, a lei também classifica como crime a divulgação de material íntimo sem consentimento, inclusive quando o remetente não é o responsável original pela gravação.

Rede de transmissão ao vivo

Durante 18 meses, a BBC identificou seis sites e aplicativos promovidos no Telegram que ofereciam imagens de ao menos 180 câmeras instaladas em quartos de hotel. Um dos perfis mais ativos, operado por um usuário que se apresenta como “AKA”, cobrava mensalidade de 450 yuans (cerca de R$ 330) para acesso a cinco transmissões simultâneas, com possibilidade de retroceder e baixar arquivos antigos. Apenas esse agente teria arrecadado, desde abril do ano passado, cerca de 163,2 mil yuans (aproximadamente R$ 110 mil), valor mais de três vezes superior à renda anual média na China, calculada em 43.377 yuans.

Estrutura hierárquica

Conforme as trocas de mensagens analisadas, “AKA” seria apenas um intermediário. Acima dele estariam os chamados “donos das câmeras”, responsáveis por instalar os equipamentos e administrar as plataformas. A reportagem acompanhou um desses pontos de espionagem em Zhengzhou, no centro do país, onde investigadores localizaram o dispositivo embutido na saída de ventilação do quarto. Mesmo com detector portátil, o equipamento não foi identificado, e só pôde ser removido manualmente.

Fácil acesso aos aparelhos

Apesar de regras rígidas para comercialização, a compra de câmeras do tamanho de uma borracha é considerada simples no maior mercado de eletrônicos da China, em Huaqiangbei (Guangdong). A ausência de dados públicos detalhados dificulta saber quantos processos chegaram aos tribunais, mas ações judiciais se espalham de Jilin, no norte, a Guangdong, no extremo sul.

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Imagem: BBC

Impacto nas vítimas

Traumatizados, Eric e Emily passaram a usar chapéus ao sair de casa, temendo reconhecimentos. Eles também evitam hotéis e monitoram, esporadicamente, os canais no Telegram em busca de novos uploads. Organizações como a RainLily, sediada em Hong Kong, relatam crescimento na procura de vítimas que pedem remoção de conteúdo não consensual. A ONG afirma, contudo, que raramente obtém resposta do Telegram, que garante moderar “milhões de conteúdos prejudiciais” diariamente.

Após serem questionados pela BBC, os perfis de “AKA” e de outro intermediário, “Brother Chun”, desapareceram do aplicativo. Entretanto, o site conectado às transmissões continuava ativo até a publicação da investigação.

Com informações de G1

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William Kevim é profissional de tecnologia com profunda paixão por cultura e entretenimento. Frequentador assíduo de teatros e cinemas, acompanha de perto lançamentos musicais, produções cinematográficas e o universo dos animes. Colabora com os portais do R2 Mídia Group trazendo pautas leves, culturais e de entretenimento com entusiasmo e olhar apurado.