Trump publica vídeo com representação racista do casal Obama e volta a questionar eleição de 2020

Robson Alves
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, divulgou nas primeiras horas desta sexta-feira (6) um vídeo em rede social que mostra o ex-presidente Barack Obama e a ex-primeira-dama Michelle Obama caracterizados como macacos. A cena, de aproximadamente dois segundos, foi inserida no final de uma montagem de cerca de um minuto recheada de teorias conspiratórias e alegações de fraude na eleição de 2020, pleito em que Trump foi derrotado pelo democrata Joe Biden e se recusou a reconhecer o resultado.

A publicação faz parte de uma intensa atividade on-line: em apenas três horas, o republicano lançou 60 postagens, grande parte com acusações já refutadas sobre supostas irregularidades na apuração dos votos. O vídeo que traz a representação racista do casal Obama repete a narrativa, desmentida pela Justiça e por autoridades eleitorais, de que a Dominion Voting Systems adulterou a contagem das urnas. Em 2023, a emissora Fox News fechou acordo extrajudicial de US$ 787 milhões com a empresa para encerrar um processo de difamação relacionado à mesma acusação.

A reação foi imediata no Congresso. O líder democrata na Câmara, deputado Hakeem Jeffries, que é negro, saiu em defesa dos Obamas. “Donald Trump é um verme vil, desequilibrado e maligno. Por que líderes republicanos como John Thune continuam a apoiar esse indivíduo doente? Todos os republicanos devem denunciar imediatamente o fanatismo repugnante de Donald Trump”, afirmou.

Disputa política

A insistência de Trump na narrativa de fraude ocorre em meio à preocupação de perder a estreita maioria que seu partido mantém no Legislativo nas eleições de novembro. No último sábado, o democrata Taylor Rehmet conquistou um assento no Senado estadual do Texas que era controlado por republicanos desde a década de 1990. Segundo a historiadora Heather Cox Richardson, da Universidade de Boston, Rehmet venceu por 14,4 pontos percentuais em um distrito em que Trump superou Biden, em 2024, por 17 pontos — uma virada de 32 pontos percentuais considerada alarmante para os conservadores.

Também nesta semana, o estrategista Steve Bannon defendeu o envio de agentes da Imigração (ICE) a seções eleitorais, repetindo outra alegação sem provas de que imigrantes indocumentados “corrompem a eleição”. A retórica se soma a mudanças de limites distritais promovidas por legisladores republicanos no Texas e no Missouri, prática conhecida como gerrymandering, que redesenha fronteiras eleitorais para favorecer um partido ao diluir votos de grupos específicos, como comunidades negras urbanas.

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Imagem: REUTERS/Eric Thayer/Proibida reprodução

O novo ataque racista de Trump contra o primeiro presidente negro dos Estados Unidos reacende críticas sobre o discurso de intolerância do ex-mandatário e acrescenta tensão à disputa eleitoral que se aproxima.

Com informações de Agência Brasil

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Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.