Musk pretende instalar data centers em órbita, porém enfrenta críticas sobre viabilidade

William Kevim
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Elon Musk voltou a mirar o espaço, desta vez com a meta de erguer grandes centros de processamento de inteligência artificial fora da Terra. Na segunda-feira (2), a SpaceX, empresa de foguetes do bilionário, concluiu a compra da xAI, também controlada por ele, para acelerar o plano de colocar até um milhão de satélites em órbita e formar data centers alimentados por energia solar.

Em texto publicado no site da SpaceX, Musk defendeu que a “IA baseada no espaço é, obviamente, a única maneira de alcançar escala” e ressaltou a vantagem dos painéis solares fora da atmosfera: “No espaço, sempre faz sol!”. Em prévia do podcast Cheeky Pint, com exibição prevista para quinta-feira, ele declarou que, em 30 a 36 meses, o local “mais economicamente atraente” para rodar inteligência artificial será além da atmosfera.

Calor sem escape

Para parte da comunidade científica, a proposta esbarra primeiro na dissipação de calor. “Um chip de computador sem refrigeração em órbita superaqueceria e derreteria muito mais rápido do que na Terra”, afirmou o professor Josep Jornet, da Northeastern University. A solução, segundo ele, exigiria radiadores gigantes capazes de emitir radiação infravermelha — tecnologia já testada em pequena escala na Estação Espacial Internacional, mas nunca aplicada em estruturas do tamanho imaginado por Musk.

Lixo espacial e riscos de colisão

Outro ponto crítico é o aumento de detritos em órbita. John Crassidis, da Universidade de Buffalo e ex-engenheiro da Nasa, alerta para um possível efeito cascata caso satélites defeituosos colidam a velocidades de 28 mil km/h. A Starlink, serviço de Internet via satélite de Musk, já colocou cerca de 10 mil unidades em sete anos, número muito inferior aos milhões projetados. O empresário alega ter registrado apenas um “evento de geração de detritos de baixa velocidade” nesse período.

Manutenção impossível

Mesmo sem impactos, componentes se degradam. Chips de alto desempenho, essenciais para IA, sofrem com partículas solares energéticas e podem precisar de troca. “Na Terra basta enviar um técnico; no espaço, não há equipe de reparo”, lembrou Baiju Bhatt, executivo-chefe da Aetherflux, que trabalha com energia solar orbital. A alternativa seria embarcar chips de reserva, estratégia onerosa porque cada unidade custa dezenas de milhares de dólares e os satélites Starlink têm vida útil estimada em apenas cinco anos.

Competição e vantagem nos lançamentos

A corrida já começou. A Starcloud, de Washington, colocou em novembro um satélite experimental com chip Nvidia; o Google estuda o Projeto Suncatcher para centros de dados em órbita; e a Blue Origin, de Jeff Bezos, planeja mais de 5 mil satélites voltados a comunicações. Todas, porém, dependem atualmente dos foguetes Falcon, da SpaceX, para chegar ao espaço.

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Imagem: Matt Rourke/AP

Pierre Lionnet, diretor de pesquisa da associação Eurospace, afirma que Musk cobra de concorrentes até US$ 20 mil por quilo de carga útil, enquanto seus próprios projetos pagam cerca de US$ 2 mil. “Ao anunciar que levará data centers para o espaço, ele sinaliza que usará essa vantagem para liderar a nova corrida”, avaliou Lionnet.

Apesar do otimismo de Musk, especialistas concordam que serão necessários avanços técnicos, econômicos e regulatórios consideráveis antes que servidores orbitais se tornem realidade comercial.

Com informações de G1

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William Kevim é profissional de tecnologia com profunda paixão por cultura e entretenimento. Frequentador assíduo de teatros e cinemas, acompanha de perto lançamentos musicais, produções cinematográficas e o universo dos animes. Colabora com os portais do R2 Mídia Group trazendo pautas leves, culturais e de entretenimento com entusiasmo e olhar apurado.