A Williams revelou detalhes de um procedimento que pretende adotar a partir de 2026 para contornar um dos principais desafios dos novos conjuntos motopropulsores da Fórmula 1. A temporada marca a estreia de unidades de potência com participação elétrica significativamente maior, mas sem aumento proporcional da capacidade da bateria. Segundo Matt Harman, diretor técnico de engenharia da equipe inglesa, a solução passa por um “truque de combustível” que permite carregar o sistema elétrico em condições específicas de corrida.
De acordo com as novas especificações regulamentares, a parte elétrica do power unit saltará de 120 kW — valor vigente até 2025 — para 350 kW. Apesar desse acréscimo, o armazenamento de energia a bordo crescerá apenas de forma marginal. O descompasso entre potência exigida e volume disponível de carga elétrica motivou as equipes a buscar alternativas para garantir energia suficiente ao longo das voltas.
Nesse contexto, Harman explicou que o método estudado pela Williams recorre ao próprio combustível como elemento auxiliar de geração. Em fases menos exigentes do traçado, o motor de combustão interna seria operado de modo a produzir excedente energético, funcionando como gerador para alimentar a bateria. O procedimento impede que a reserva elétrica se esgote antes do fim das retas, momento em que os 350 kW adicionais se tornam fundamentais na entrega de desempenho.
Embora não tenha detalhado valores exatos de fluxo ou regime de funcionamento, o dirigente destacou que o recurso está previsto no regulamento técnico e, por isso, não viola nenhuma norma. A estratégia, segundo ele, apenas maximiza o uso do combustível já a bordo do carro, convertendo parte da energia térmica em eletricidade sempre que o traçado apresentar trechos mais lentos ou de frenagem prolongada.
A medida surge em meio a debates sobre a eficiência dos novos carros e à preocupação de manter as metas ambientais traçadas pela categoria. Mesmo com a potência elétrica quase triplicada, os organizadores decidiram limitar o crescimento das baterias para conter peso e custos, o que levou as equipes a explorar soluções como a descrita pela Williams.
Imagem: Divulgação
Harman acrescentou que, além da operação diferenciada do motor, o conceito exige calibração refinada do software de gerenciamento de energia, responsável por determinar quando e quanto torque extra será destinado à recarga em cada parte do circuito. O executivo avaliou que, nas simulações da equipe, o processo garante equilíbrio entre desempenho e economia de combustível, mantendo o carro dentro das metas de eficiência esperadas para o próximo ciclo de regras.
Com o avanço das discussões técnicas, as escuderias seguem analisando maneiras de se adaptar ao cenário de maior dependência elétrica sem comprometer velocidade. A Williams, que vem reorganizando sua estrutura interna, considera o “truque de combustível” peça-chave para enfrentar o novo regulamento e voltar a disputar posições mais competitivas no grid.
Com informações de Motorsport.uol
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