As sedes do X (antigo Twitter) na França foram alvo de mandados de busca na manhã desta terça-feira (3). A operação foi conduzida por procuradores franceses que investigam suspeitas de circulação de material de pornografia infantil gerado por deepfake na plataforma.
De acordo com o Ministério Público de Paris, as diligências integram um inquérito aberto para verificar como conteúdos ilícitos teriam sido produzidos, publicados e mantidos no serviço de rede social. O órgão afirma que Elon Musk, proprietário do X, e Linda Yaccarino, que ocupava o cargo de diretora-executiva à época dos fatos, foram intimados a prestar esclarecimentos.
Ambos receberam convocações formais para um depoimento voluntário marcado para 20 de abril de 2026 na capital francesa. A promotoria destaca que Musk e Yaccarino são considerados, respectivamente, gestores de fato e de direito da companhia no período investigado, razão pela qual seus testemunhos são considerados essenciais.
Linda Yaccarino deixou o comando do X em julho de 2025, após dois anos na chefia da empresa. Mesmo desligada, seu nome permanece ligado ao caso porque parte dos conteúdos suspeitos teria sido publicada antes de sua saída. A atual liderança da plataforma não foi citada no comunicado divulgado nesta manhã.
Os promotores não detalharam quantos endereços do X foram visitados nem o volume de documentos recolhidos, mas confirmaram a apreensão de computadores e registros internos com o objetivo de mapear a eventual cadeia de produção e distribuição das imagens ilegais. Também estão sendo examinados logs de moderação de conteúdo e trocas internas de e-mail.
Segundo a legislação francesa, a divulgação de pornografia infantil, mesmo quando gerada por inteligência artificial, configura crime grave passível de multas pesadas e penas de prisão. Caso a investigação comprove falhas sistemáticas de moderação ou conivência, a empresa poderá responder judicialmente no país.
Imagem: AP Photo/Markus Schreiber
Até o momento, representantes do X não se pronunciaram publicamente sobre a operação nem sobre as intimações. Procurados pela imprensa internacional, porta-vozes da companhia afirmaram apenas que “colaborarão com as autoridades competentes” e que aguardam detalhes formais do processo.
A audiência marcada para 20 de abril será realizada no Ministério Público de Paris. Se os convocados optarem por não comparecer voluntariamente, promotores franceses poderão converter o chamado em intimação judicial obrigatória.
Com informações de G1
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