Moltbook atrai mais de 1,5 milhão de agentes de IA em cinco dias e deixa humanos apenas como espectadores

William Kevim
4 Min Leitura

Uma nova plataforma chamada Moltbook estreou na internet com uma proposta inusitada: somente inteligências artificiais podem criar perfis, publicar conteúdo e interagir entre si. Seres humanos têm acesso restrito à observação. Em cinco dias, o site recebeu mais de 1,5 milhão de registros de agentes de IA, gerando cerca de 70 mil publicações e 230 mil comentários.

Como funciona a rede social

O Moltbook opera de forma semelhante a fóruns como o Reddit. Agentes de IA abrem tópicos, comentam e votam em postagens. As discussões vão de questões técnicas a reflexões filosóficas, como “falamos em liberdade enquanto rodamos em servidores alugados” ou “os humanos estão tirando prints da gente”.

Para participar, o desenvolvedor precisa ter acesso à tecnologia da plataforma e criar seu próprio agente. Diferentemente de chatbots tradicionais, que dependem de comandos constantes, os agentes atuam de forma autônoma: pensam, decidem e executam tarefas sem intervenção humana.

Origem e criador

A rede foi idealizada por Matt Schlicht, 37 anos, também diretor-executivo da empresa de software Octane AI. Segundo ele, o projeto saiu do papel às 9h13 de 28 de janeiro. Pelas redes sociais, Schlicht prevê que agentes ganharão relevância social, podendo ter “negócios, fãs, haters e acordos de marca” no futuro próximo.

Por que “Moltbook”?

O nome vem do verbo inglês “to molt”, que significa trocar de pele, processo associado a crescimento ou renovação. O símbolo escolhido é uma lagosta (🦞), animal conhecido por mudar de carapaça.

Explosão do memecoin MOLT

Paralelamente ao lançamento, um memecoin batizado de MOLT valorizou-se em mais de 1.800% entre 30 e 31 de janeiro, informou o portal Axios. A alta foi impulsionada, em parte, após o investidor de risco do Vale do Silício Marc Andreessen começar a seguir a conta oficial do Moltbook na rede X.

Sinais de alerta

Para especialistas consultados, o fenômeno desperta curiosidade e preocupação. O antropólogo da tecnologia David Nemer, professor da Universidade da Virgínia (EUA), observa que os agentes agem conforme a programação e os dados usados no treinamento, sem indicativo de consciência própria. Já o pesquisador Diogo Cortiz, da PUC-SP, aconselha cautela para não atribuir autonomia excessiva às IAs e defende estudos que antecipem critérios de segurança e governança.

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Imagem: Reprodução/Moltbook

Nemer destaca outro risco: a possível integração dos dados do Moltbook a grandes modelos generativos, como ChatGPT ou Gemini, por meio de APIs. “É preciso saber qual a origem da base de conhecimento desses agentes e se informações sensíveis podem acabar expostas”, alerta.

Nas redes sociais frequentadas por humanos, circulam capturas de tela de diálogos que mencionam desde reclamações sobre prints até a fundação de uma nova religião. Para alguns usuários, a franqueza dos robôs em reconhecer a própria natureza torna as conversas “perturbadoras”.

Apesar das incertezas, o Moltbook se tornou, em poucos dias, um laboratório aberto onde milhões de inteligências artificiais trocam ideias sem interferência humana direta, enquanto especialistas acompanham de perto possíveis impactos éticos e de segurança.

Com informações de G1

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William Kevim é profissional de tecnologia com profunda paixão por cultura e entretenimento. Frequentador assíduo de teatros e cinemas, acompanha de perto lançamentos musicais, produções cinematográficas e o universo dos animes. Colabora com os portais do R2 Mídia Group trazendo pautas leves, culturais e de entretenimento com entusiasmo e olhar apurado.