São Paulo – A Aylo, controladora dos sites de conteúdo adulto Pornhub, Redtube e YouPorn, comunicou nesta terça-feira (27) que interromperá a criação de contas de novos usuários no Reino Unido a partir de 2 de fevereiro. A medida, segundo a companhia, é uma resposta direta às exigências do Online Safety Act (OSA), lei britânica em vigor há cerca de seis meses que amplia a obrigatoriedade de verificação etária para acesso a material considerado impróprio para menores.
De acordo com a Aylo, internautas britânicos que já concluíram a checagem de idade até a data-limite continuarão com acesso normal por meio de suas credenciais atuais. A restrição se aplica somente a novos registros.
Queda de tráfego e risco de multas
Desde a implementação das novas regras, o tráfego direcionado às principais plataformas pornográficas no Reino Unido despencou. Dados da consultoria Similarweb apontam que, em apenas duas semanas, o Pornhub perdeu mais de 1 milhão de visitas originadas do território britânico.
O OSA determina sanções financeiras rigorosas para serviços que não adotarem mecanismos considerados adequados de controle etário. As penalidades podem chegar a 18 milhões de libras esterlinas (aproximadamente R$ 134 milhões) ou a 10% da receita global das empresas envolvidas.
Críticas da empresa à legislação
No anúncio assinado por Alex Kekesi, vice-presidente de Marca e Comunidade da Aylo, a companhia sustenta que a lei “não atingiu seu objetivo pretendido de proteger menores”. O executivo argumenta que milhares de sites pornográficos menores, sem qualquer regulação, permanecem acessíveis, levando adultos e menores a recorrer a ambientes menos seguros.
“Acreditamos que, na prática, esse arcabouço desviou tráfego para cantos mais obscuros e não regulamentados da internet e também colocou em risco a privacidade e os dados pessoais dos cidadãos do Reino Unido”, afirma o comunicado.
Privacidade em debate
O OSA proibiu a simples autodeclaração de maioridade. Entre os métodos exigidos pelas autoridades estão escaneamento facial para estimativa de idade, envio de documentos oficiais de identificação e checagem via cartão de crédito. A Aylo critica essas soluções por considerá-las invasivas.
Imagem: Franco Alva/Unsplash
Como alternativa, a empresa defende um modelo de verificação baseado no próprio dispositivo. Nesse formato, celulares, tablets e computadores viriam configurados por padrão como “seguros para crianças”, cabendo somente a adultos desbloquear o acesso a conteúdo adulto.
Bloqueios anteriores
Não é a primeira vez que a Aylo adota medidas drásticas para cumprir ou contestar legislações locais. A companhia já bloqueou total ou parcialmente o acesso a seus sites em outros países em resposta a requisitos semelhantes de verificação etária.
A suspensão de novos cadastros no Reino Unido começará a valer em 2 de fevereiro, enquanto as discussões sobre privacidade, proteção de menores e liberdade online seguem em pauta entre reguladores, empresas e usuários.
Com informações de G1
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