Circula em aplicativos de mensagens um vídeo de 53 segundos que aparenta retratar jovens fazendo manobras em pranchas de surfe enquanto uma enxurrada invade vielas de uma comunidade. A gravação, entretanto, não é autêntica: trata-se de conteúdo gerado por inteligência artificial.
Como o material chegou aos verificadores
O arquivo foi encaminhado diversas vezes pelo WhatsApp e acabou sendo enviado a serviços de checagem por um leitor que desejava confirmar a veracidade das cenas. O vídeo traz a legenda “Pobre precisa de pouco para se divertir”, mas omite, na maior parte do tempo, que as imagens são sintéticas.
Sinais de manipulação
Somente na metade final da gravação aparece a marca d’água da plataforma MindVideo AI, ferramenta que cria vídeos a partir de comandos de texto. Até esse ponto, não há qualquer indicação de edição ou geração artificial. O áudio exibe sons de água corrente, enquanto vozes alternadas dizem frases como “olha o surfe na ladeira” e “surfe na favela”, simulando espontaneidade.
Testes apontam alta probabilidade de criação por IA
Duas plataformas independentes de detecção foram acionadas:
Hive Moderation atribuiu probabilidade entre 87% e 97% de que o conteúdo seja sintético.
Sightengine indicou 75% de chance de geração artificial e ainda sugeriu que as imagens podem ter sido produzidas pelo Sora, modelo de vídeo da OpenAI.
Detalhes do vídeo viral
• Duração: 53 segundos.
• Primeira circulação identificada: sexta-feira, 23 de janeiro.
• Plataforma de disseminação: WhatsApp, com selo “encaminhado com frequência”.
• Legenda original: “Pobre precisa de pouco para se divertir”.
Imagem: Reprodução
Por que o vídeo é considerado falso
As ferramentas de análise convergiram ao apontar índices elevados de geração sintética. Além disso, a presença da marca d’água do MindVideo AI confirma que as imagens não foram captadas em situação real. Não há registros em órgãos públicos, corpo de bombeiros ou empresas de saneamento que relatem ocorrência semelhante na data citada. Dessa forma, o material não passa de uma simulação distribuída como se fosse fato.
Ao se deparar com conteúdos semelhantes, especialistas recomendam observar detalhes como incongruências visuais, buscas por marca-d’água ou uso de plataformas que verificam a origem dos arquivos. Suspições podem ser encaminhadas para serviços de checagem pelo número +55 (21) 97305-9827.
O vídeo, portanto, não documenta evento real: trata-se de mais um exemplo de produção com inteligência artificial divulgada sem contexto, reforçando a necessidade de cautela na hora de compartilhar material viral.
Com informações de G1
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