A Secretaria de Estado da Saúde (SES) intensificou neste mês a mobilização do Janeiro Roxo, iniciativa anual que busca ampliar a conscientização sobre a hanseníase e suas consequências quando não identificada a tempo. O órgão destaca a necessidade de os profissionais de saúde realizarem exames de pele durante as consultas de rotina e, ao menor sinal da doença, encaminharem o paciente para avaliação nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs).
A hanseníase é uma infecção crônica provocada pela bactéria Mycobacterium leprae, capaz de atingir pele, nervos periféricos, olhos e vias respiratórias superiores. Embora ainda seja cercada por estigmas, a enfermidade tem cura e o tratamento é oferecido gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A transmissão se dá pelo contato próximo e prolongado com pessoas doentes que ainda não iniciaram a terapia, por meio de gotículas expelidas ao falar, tossir ou espirrar. Não se trata de uma doença de alta contagiosidade, pois a maioria da população possui defesa natural contra o microrganismo.
Sinal de alerta
Entre os indícios mais comuns estão manchas esbranquiçadas, avermelhadas ou cor de ferrugem; áreas com perda ou diminuição de sensibilidade ao calor, dor e tato; além de dor, choques, fisgadas ou formigamento ao longo dos nervos de braços, mãos, pernas e pés. A SES recomenda que qualquer pessoa com sintomas procure a UBS mais próxima para avaliação e, se necessário, início imediato do tratamento.
Apoio aos municípios
De acordo com a referência técnica do Programa Estadual de Controle da Hanseníase, Maria de Fátima Dias, a secretaria mantém apoio contínuo às prefeituras para detecção precoce de novos casos. Todos os anos, são disponibilizadas 150 vagas em atividades de educação continuada voltadas a médicos e enfermeiros de localidades menos endêmicas. As ações incluem momentos teóricos e prática clínica para avaliação de contatos e casos suspeitos. Municípios considerados silenciosos, de baixa ou de alta endemicidade participam, sendo que os mais endêmicos têm prioridade na etapa prática.
Como é feito o tratamento
O SUS oferece a Poliquimioterapia Única (PQT-U), adotada em todo o estado. Pacientes com até cinco lesões cutâneas (paucibacilares) recebem seis doses; aqueles com mais de cinco lesões (multibacilares) seguem o regime de 12 doses. Quadros crônicos, suspeitas de resistência medicamentosa ou necessidade de esquemas alternativos são acompanhados em um dos dois serviços de referência: o Centro de Especialidades Médicas de Aracaju (Cemar) e o Ambulatório de Dermatologia do Hospital Universitário (HU).
Prevenção e convívio
Situações de aglomeração em locais fechados e pouco ventilados por longos períodos favorecem a transmissão. Abraços, apertos de mão ou compartilhamento de talheres, pratos e roupas, contudo, não propagam a bactéria. O diagnóstico nos estágios iniciais e o tratamento imediato evitam deformidades e sequelas irreversíveis, reforçando a importância de buscar atendimento médico diante dos primeiros sinais.
Com informações de Saude.se.gov
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