Cinco anos após início da vacinação, casos graves de covid diminuem, mas baixa adesão preocupa especialistas

Claudio Vasconcelos
5 Min Leitura

Completa cinco anos a campanha nacional de imunização contra a covid-19. Desde 2021, quando as primeiras doses chegaram aos postos de saúde do país, o cenário mudou: a pandemia foi oficialmente encerrada, porém o vírus continua circulando e ainda provoca hospitalizações e mortes. Especialistas veem na vacinação a principal estratégia para evitar novos surtos e insistem que a cobertura precisa avançar.

Segundo o Ministério da Saúde, em 2025 foram distribuídas 21,9 milhões de vacinas contra a doença. Menos de 40% desse total — cerca de 8 milhões — foi aplicado, demonstrando redução no interesse da população pelos imunizantes.

Os reflexos aparecem na plataforma Infogripe, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que acompanha casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG). O sistema contabilizou em 2025 pelo menos 10.410 infecções graves por coronavírus e aproximadamente 1,7 mil óbitos confirmados em laboratório. Como parte das notificações chega com atraso, o número pode crescer.

Para o coordenador do Infogripe, Leonardo Bastos, o coronavírus permanece entre os agentes respiratórios de maior risco. “A covid não foi embora. Há surtos recorrentes e avaliamos o potencial de eles se transformarem em epidemias”, observa.

A pesquisadora Tatiana Portella acrescenta que o vírus ainda não apresenta padrão sazonal definido, o que dificulta prever períodos de maior transmissão. “Uma nova variante pode surgir a qualquer momento, mais contagiosa e agressiva. Por isso é fundamental manter o calendário vacinal em dia”, afirma.

Baixa cobertura infantil

Desde 2024, a dose contra a covid integra o calendário básico de crianças, gestantes e idosos. Mesmo assim, aderir ao esquema tem sido um desafio. No ano passado, 2 milhões de vacinas foram aplicadas em crianças, mas o painel público indica que somente 3,49% do público menor de 1 ano recebeu a proteção — índice ainda subestimado, de acordo com a pasta, pois o sistema não consolida todas as faixas etárias infantis.

Entre 2020 e 2025, crianças com menos de 2 anos registraram quase 20,5 mil casos de SRAG por covid e 801 mortes. Apenas em 2025 houve 55 óbitos e 2.440 internações. A infecção também está associada à Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIM-P), que teve 2,1 mil ocorrências e 142 mortes no país entre 2020 e 2023.

Estudos confirmam a segurança e a eficácia das vacinas. Acompanhamento de 640 crianças e adolescentes imunizados com a Coronavac, em São Paulo, detectou 56 infecções leves e nenhuma evolução grave. Em 2022 e 2023, mais de 6 milhões de doses pediátricas foram aplicadas com poucas reações adversas registradas, a maioria leve.

Para Isabela Ballalai, diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações, a queda na procura se deve à percepção menor de risco. “Quando as vacinas chegaram para as crianças, os casos já haviam diminuído e o antivacinismo ganhou espaço”, avalia. Ela sustenta que médicos e demais profissionais de saúde precisam reforçar a recomendação do imunizante.

Quem deve se vacinar

O Ministério da Saúde orienta:

  • Bebês: primeira dose aos 6 meses, segunda aos 7 e terceira aos 9 meses (Pfizer).
  • Crianças imunocomprometidas: mesmas três doses iniciais e reforço semestral.
  • Crianças indígenas, ribeirinhas, quilombolas ou com comorbidades: esquema básico e reforço anual.
  • Gestantes: uma dose a cada gestação; puérperas recebem se não imunizadas durante a gravidez.
  • Idosos a partir de 60 anos e pessoas imunocomprometidas: reforço a cada seis meses.
  • Moradores e trabalhadores de instituições de longa permanência, indígenas, ribeirinhos, quilombolas, profissionais de saúde, pessoas com deficiência ou comorbidades, população privada de liberdade, pessoas em situação de rua e trabalhadores dos Correios: dose anual.
  • Pessoas de 5 a 59 anos fora dos grupos prioritários que nunca se vacinaram: esquema de uma dose.

Especialistas reforçam que manter a vacinação em dia reduz hospitalizações e mortes, além de minimizar o impacto de possíveis variantes futuras.

Com informações de Agência Brasil

Compartilhe essa Notícia
Claudio Vasconcelos é jornalista veterano com vasta experiência em coberturas políticas e esportivas em Sergipe. Natural de Canindé de São Francisco, construiu sua trajetória na imprensa sergipana com foco em jornalismo de raiz, privilegiando apuração rigorosa e compromisso com a informação. Apaixonado pelo futebol e pelos bastidores da política, traz perspectiva experiente e bem fundamentada para cada matéria.