Esther Dweck defende integração regional como motor do crescimento latino-americano em Davos

Robson Alves
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A ministra da Gestão e Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, foi a única representante do governo brasileiro no Fórum Econômico Mundial, realizado em Davos, na Suíça. Nesta quarta-feira, 21 de janeiro, ela participou do painel “Superando o teto de crescimento da América Latina” e apontou a integração regional como peça central para destravar a economia, que há anos avança em torno de 2% ao ano.

Segundo Dweck, a América Latina figura entre as regiões menos conectadas do planeta. Para mudar esse quadro, ela listou três eixos prioritários: infraestrutura compartilhada, articulação de cadeias produtivas regionais e integração de políticas sociais. Na avaliação da ministra, essas frentes podem gerar ganhos de escala, elevar a competitividade e impulsionar o padrão de crescimento de todo o bloco.

No encontro, a ministra citou o desempenho econômico brasileiro dos últimos três anos como demonstração de que políticas coordenadas podem produzir resultados. Ela também ressaltou a atuação da diplomacia de Brasília na reversão parcial das tarifas impostas pelos Estados Unidos em 2025. Embora alguns setores ainda sintam os efeitos da sobretaxa, Dweck afirmou que a negociação foi fundamental para reduzir prejuízos e recuperar mercados.

A integrante do primeiro escalão do governo recordou ainda a conclusão, no fim de 2025, do acordo Mercosul-União Europeia, fechado após 25 anos de tratativas. Para ela, o tratado exemplifica o potencial de acordos multilaterais na ampliação de oportunidades comerciais para os países sul-americanos.

Dweck descreveu o atual mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva como uma síntese dos dois governos anteriores do petista e do período de Dilma Rousseff. Entre as medidas citadas estão a reorganização orçamentária, a retomada dos programas de transferência de renda, a reforma tributária aprovada em 2025 e a redução de mais de 70% no déficit fiscal em comparação com o início da gestão.

Nesse contexto, ela elencou cinco diretrizes de crescimento. A principal, destacou, é a distribuição de renda aliada à diminuição das desigualdades, apontada como motor econômico capaz de ampliar consumo interno e estimular investimentos. A ministra frisou que o avanço ocorreu não apenas pelo gasto público, mas também pela modernização do sistema tributário, que simplificou impostos indiretos e promoveu ajustes no Imposto de Renda.

O Fórum Econômico Mundial chega à 55ª edição com o tema “Um Espírito de Diálogo”, voltado a fomentar a cooperação entre líderes governamentais, empresariais e organizações internacionais. Ao longo da semana, o encontro reúne chefes de Estado, executivos e especialistas para discutir desafios globais como transição energética, segurança alimentar e transformação digital.

Durante o painel, Esther Dweck reiterou que a integração latino-americana não deve se restringir ao comércio. Para ela, políticas sociais coordenadas podem ampliar a eficácia de programas de combate à pobreza, enquanto projetos conjuntos de infraestrutura tendem a reduzir custos logísticos e abrir novos corredores de exportação. “Há espaço para construir cadeias de valor mais robustas, impulsionar a produtividade e tornar a região mais competitiva no cenário global”, concluiu.

Com informações de Agência Brasil

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Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.