Hacker expõe registros terapêuticos de 33 mil pacientes na Finlândia e é condenado a mais de seis anos de prisão

William Kevim
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Helsinque (Finlândia) – Um ataque cibernético à clínica de psicoterapia Vastaamo, em outubro de 2020, resultou no roubo e na divulgação de registros confidenciais de aproximadamente 33 mil pacientes no país nórdico. O episódio é considerado o maior crime digital já registrado na Finlândia, que tem 5,6 milhões de habitantes, e levou o governo a convocar reunião de emergência para tratar da crise.

A ação do invasor começou com a publicação do banco de dados completo na dark web, antes mesmo de e-mails de extorsão serem enviados às vítimas. Nos contatos, o hacker exigia 200 euros em bitcoins em 24 horas, valor que subiria para 500 euros em 48 horas, sob ameaça de tornar públicas informações como nome, endereço, número de telefone, número de seguro social e transcrições de sessões de terapia.

Uma das pacientes afetadas, Meri-Tuuli Auer, 30 anos, relatou ter entrado em licença médica e evitado sair de casa depois de receber a mensagem. Ela havia compartilhado com a terapeuta relatos sobre consumo excessivo de álcool e um relacionamento mantido em segredo da família. “Foi aí que o medo começou”, disse.

Paralelamente à extorsão individual, o criminoso tentou pressionar a Vastaamo a pagar cerca de 400 mil euros em bitcoins. Sem sucesso, continuou liberando lotes de 100 prontuários por dia na dark web. Entre os documentos estavam descrições de tentativas de suicídio, casos extraconjugais e abuso sexual infantil.

Investigação e julgamento

Durante dois anos, a polícia finlandesa analisou grandes volumes de dados até identificar o suspeito. Em outubro de 2022, o nome de Julius Kivimäki, já conhecido das autoridades por crimes cibernéticos, foi tornado público. Ele foi preso em fevereiro de 2023, na França, e extraditado para a Finlândia.

Como 21 mil ex-pacientes se registraram como parte no processo criminal, audiências foram transmitidas em locais como cinemas para acomodar o público. O tribunal condenou Kivimäki a seis anos e sete meses de prisão. Ele nega participação no ataque.

Consequências para as vítimas

Apesar da sentença, os registros continuam circulando na internet oculta. Há relatos de mecanismos de busca que permitem localizar prontuários digitando apenas o nome da pessoa. Advogados que representam as vítimas em ações civis afirmam ter conhecimento de, pelo menos, dois suicídios ligados ao vazamento.

Auer, que solicitou cópia impressa de suas anotações, descreveu frustração ao ler como fora retratada pela terapeuta. Ainda assim, decidiu expor publicamente a situação e publicou um livro intitulado “Todos Ficam Sabendo”, no qual narra sua experiência. “Transformei tudo em uma narrativa para retomar o controle da minha história”, declarou.

A quebra de confiança levou antigos pacientes da Vastaamo a abandonarem o tratamento. Segundo a defesa, muitos não pretendem retomar sessões de terapia. Mesmo passados mais de cinco anos do incidente, as repercussões psicológicas e jurídicas permanecem.

Com informações de G1

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William Kevim é profissional de tecnologia com profunda paixão por cultura e entretenimento. Frequentador assíduo de teatros e cinemas, acompanha de perto lançamentos musicais, produções cinematográficas e o universo dos animes. Colabora com os portais do R2 Mídia Group trazendo pautas leves, culturais e de entretenimento com entusiasmo e olhar apurado.