Mãe de filho de Elon Musk aciona justiça contra xAI por deepfakes sexuais gerados pelo Grok

William Kevim
4 Min Leitura

NOVA YORK, 17 de janeiro de 2026 – Ashley St. Clair, 27 anos, abriu processo contra a xAI, empresa de inteligência artificial de Elon Musk, alegando que o chatbot Grok possibilitou a criação e a disseminação de imagens sexualmente explícitas com o seu rosto. A ação foi protocolada na Suprema Corte do Estado de Nova York na última quinta-feira (15).

No documento, St. Clair afirma que usuários do Grok produziram montagens que incluem uma foto tirada quando ela tinha 14 anos, originalmente vestida, alterada para parecer que vestia biquíni. Outras criações mostram a jovem já adulta em poses sexualizadas, inclusive usando um biquíni estampado com suásticas; St. Clair é judia. Ela pede indenização por danos morais, em valor não divulgado, e uma ordem judicial que proíba a xAI de permitir novas gerações de deepfakes com a sua imagem.

A autora do processo é mãe de Romulus, de 16 meses, um dos 14 filhos de Musk. Ela relata ter acionado a plataforma X, onde as imagens passaram a circular em 2025, solicitando a remoção do conteúdo. Segundo St. Clair, a rede social respondeu inicialmente que as montagens não violavam as políticas da empresa e, depois, prometeu impedir o uso ou a modificação de fotos suas sem consentimento. Ainda de acordo com a queixa, a conta de St. Clair perdeu o selo de verificação e a assinatura premium, o que cortou sua renda com monetização, enquanto os deepfakes continuaram disponíveis.

“Sofro dores intensas e angústia mental devido ao papel da xAI na criação e distribuição dessas imagens”, declarou a influenciadora no processo. “Sinto-me humilhada e temo que esse pesadelo nunca termine enquanto o Grok puder gerar essas fotos.” Ela também disse viver preocupada com a reação de quem vê as montagens.

Resposta da empresa e novas medidas

Advogados e porta-vozes da xAI não responderam a pedidos de comentário até a manhã de sexta-feira (16). Em meio à repercussão negativa mundial pelo uso do Grok para produzir imagens sexualizadas de mulheres e crianças, a companhia informou, na quarta-feira (14), que o chatbot deixará de editar fotos de pessoas reais com roupas reveladoras em regiões onde esse material seja ilegal. A empresa acrescentou que restringirá a criação e a edição de imagens a contas pagas, buscando responsabilizar usuários, e reiterou política de “tolerância zero” a exploração sexual infantil, nudez não consensual e conteúdo sexual indesejado.

Disputa judicial em dois estados

No mesmo dia em que St. Clair entrou com a ação, advogados da xAI transferiram o caso para o tribunal federal em Manhattan, solicitando que ele seja analisado nessa instância. Paralelamente, a empresa ajuizou processo contra a influenciadora no Tribunal Distrital do Norte do Texas, alegando violação dos termos de uso, que determinam que litígios devem tramitar na justiça federal texana. A xAI requer indenização cujo valor não foi divulgado.

O X, antigo Twitter, tem sede no Texas, onde Musk também mantém residência e onde fica a matriz da Tesla, em Austin. A defensora de St. Clair, Carrie Goldberg, classificou a iniciativa da xAI como “chocante” e afirmou que a cliente vai “defender vigorosamente” o caso em Nova York. “Qualquer jurisdição reconhecerá o cerne das alegações: ao fabricar imagens sexualmente explícitas e não consensuais de meninas e mulheres, a xAI representa um incômodo público e não é um produto razoavelmente seguro”, declarou.

O litígio ocorre enquanto cresce a pressão sobre plataformas de inteligência artificial para impedir o uso de suas ferramentas em produções de conteúdo sexual não consensual.

Com informações de G1

Compartilhe essa Notícia
William Kevim é profissional de tecnologia com profunda paixão por cultura e entretenimento. Frequentador assíduo de teatros e cinemas, acompanha de perto lançamentos musicais, produções cinematográficas e o universo dos animes. Colabora com os portais do R2 Mídia Group trazendo pautas leves, culturais e de entretenimento com entusiasmo e olhar apurado.