O Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA) reuniu-se de forma extraordinária nesta terça-feira, 6 de janeiro, para discutir a ofensiva militar dos Estados Unidos em território venezuelano e o sequestro do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores. Sem negociações formais ou documentos aprovados, o encontro evidenciou o forte contraste de posições entre os países do hemisfério.
Paises favoráveis à intervenção
Argentina, Equador, Paraguai e El Salvador manifestaram apoio às ações de Washington. O embaixador argentino Carlos Bernardo Cherniak elogiou a “determinação” do governo norte-americano e classificou o episódio como “avanço decisivo contra o narcoterrorismo”. Já Mónica Palencia, representante do Equador, afirmou que “a paz se constrói com ações decididas” e declarou solidariedade às “vítimas da ditadura” venezuelana.
Países contrários à ação militar
Brasil, Chile, Colômbia, México e Honduras condenaram o bombardeio e defenderam a soberania venezuelana. Para o embaixador brasileiro Benoni Belli, a operação “ultrapassa uma linha inaceitável” e cria “precedente extremamente perigoso”. O mexicano Alejandro Encinas definiu a ofensiva como “agressão unilateral” e pediu reflexão “apegada ao direito internacional”.
Venezuela sem voz na sessão
Apesar de ainda constar como membro oficial, a Venezuela não teve direito a fala. O país vive um impasse institucional na OEA desde 2017, quando anunciou sua saída da entidade. Em 2019, o bloco reconheceu um representante indicado pelo opositor Juan Guaidó, mas nenhum nome voltou a ser aceito após o enfraquecimento da oposição.
Secretário-geral evita tomar partido
O secretário-geral Albert Ramdin destacou a importância do multilateralismo e mencionou, sem citar diretamente os Estados Unidos, a necessidade de respeitar soberania, não-intervenção e ordem constitucional. Ao mesmo tempo, defendeu “transição democrática profunda” na Venezuela, com apoio a reformas e observação eleitoral.
Troca de acusações entre EUA e China
No debate, o embaixador norte-americano Leandro Rizzuto acusou China, Rússia, Irã, Hezbollah e agências de inteligência cubanas de tentarem controlar as reservas de petróleo venezuelanas. A representante chinesa, cujo nome não foi divulgado, contrapôs que as declarações eram “injustificadas e falsas” e criticou o uso da força contra um Estado soberano.
Sem consenso, a sessão foi encerrada sem resoluções, mantendo em aberto a discussão sobre os próximos passos da comunidade hemisférica diante da crise venezuelana.
Fonte: Agência Brasil
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