Nações Unidas, 5 jan. 2026 – Os Estados Unidos afirmaram, nesta segunda-feira (5), que não estão em guerra nem ocupam a Venezuela. A declaração foi feita pelo embaixador norte-americano Michael Waltz durante sessão extraordinária do Conselho de Segurança da ONU, convocada após a operação que resultou no sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro em Caracas, no sábado (3).
Segundo Waltz, a ação em território venezuelano teve caráter estritamente jurídico. “Não há guerra contra a Venezuela nem contra seu povo. Não estamos ocupando um país”, disse. O diplomata classificou a operação como aplicação da lei “facilitada pelas Forças Armadas”.
Acusações de narcotráfico
Maduro e a primeira-dama, Cilia Flores, são apontados por Washington como fugitivos da Justiça norte-americana. O líder venezuelano é descrito pelos EUA como chefe do suposto “Cartel de los Soles”, organização responsável por tráfico internacional de drogas e armas.
Entidades como a International Crisis Group contestam a existência do cartel e veem a acusação como instrumento de intervenção. Waltz rebateu dizendo que “provas esmagadoras” serão apresentadas em juízo.
Paralelo com Noriega
O embaixador comparou a captura de Maduro à detenção do ex-ditador panamenho Manuel Noriega, em 1989. Noriega foi levado aos Estados Unidos, condenado e cumpriu pena em prisões norte-americanas e panamenhas.
Legitimidade contestada
No Conselho de Segurança, Waltz afirmou que mais de 50 países e um painel de especialistas da ONU recusam o resultado das eleições venezuelanas de 2024, consideradas fraudulentas. “Se a ONU conceder legitimidade a um narcoterrorista ilegítimo, que tipo de organização é essa?”, questionou.
Presença de aliados de adversários locais
O representante dos EUA acusou Maduro de enriquecer “às custas do povo” e de permitir a atuação de inimigos de Washington em solo venezuelano, citando Irã, Hezbollah, agentes de inteligência cubanos e gangues. “Este é o Hemisfério Ocidental, onde vivemos, e não permitiremos que seja usado como base de operações”, afirmou.
Waltz acrescentou que as maiores reservas de energia do mundo “não podem permanecer sob controle de líderes ilegítimos” que, segundo ele, não beneficiam a população venezuelana e favorecem “um punhado de oligarcas”.
Fonte: Agência Brasil
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