Venezuela pede ao Conselho de Segurança que condene operação dos EUA e aponta motivação petrolífera

Robson Alves
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NOVA YORK (ONU), 5 jan. 2026 – A Venezuela solicitou nesta segunda-feira (5) que o Conselho de Segurança das Nações Unidas condene, de forma “clara e inequívoca”, a incursão militar dos Estados Unidos em Caracas, ocorrida no sábado (3), que terminou com o sequestro do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores.

O pedido foi apresentado pelo embaixador venezuelano Samuel Moncada durante reunião de emergência convocada em Nova York. Segundo o diplomata, a operação norte-americana viola a Carta da ONU, especialmente os princípios de soberania dos Estados e da proibição do uso da força contra a integridade territorial ou a independência política de qualquer país.

Violação de imunidades

Moncada destacou que o sequestro de um chefe de Estado em exercício afronta a imunidade presidencial, classificada por ele como “garantia institucional que preserva a soberania dos Estados e a estabilidade do sistema internacional”. O representante advertiu que a ausência de uma resposta firme do Conselho equivaleria a “normalizar a substituição do direito pela força” e fragilizar o mecanismo de segurança coletiva.

Reivindicações ao Conselho

O embaixador solicitou ainda que o órgão:

  • reafirme o respeito às imunidades de Maduro e da primeira-dama;
  • declare que territórios e recursos naturais não podem ser adquiridos por meio da força;
  • adote medidas para proteger a população civil venezuelana.

Interesse no petróleo

De acordo com Moncada, o ataque dos Estados Unidos estaria ligado a interesses econômicos, com foco no controle da produção de petróleo venezuelano. “A Venezuela é alvo dessa agressão por causa de seus recursos naturais. Petróleo, energia, recursos estratégicos e nossa posição geopolítica sempre despertaram ganância e pressão externa”, afirmou.

Para o diplomata, essa lógica recoloca em cena “as piores práticas do colonialismo e do neocolonialismo”, representando ameaça não apenas ao país, mas à estabilidade mundial.

Continuidade institucional

Mesmo após o sequestro, Moncada assegurou que as instituições venezuelanas “seguem funcionando normalmente”. A vice-presidenta Delcy Rodríguez assumiu interinamente a Chefia de Estado, garantindo, segundo ele, a continuidade constitucional.

“A Venezuela acredita na diplomacia, no diálogo e na convivência pacífica entre as nações. Defenderemos nossa soberania sem abrir mão de nossos valores”, concluiu o embaixador diante dos membros do Conselho de Segurança.

Fonte: Agência Brasil

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Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.