Bernie Sanders e Kamala Harris classificam ofensiva de Trump na Venezuela como ilegal e imperialista

Robson Alves
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O senador norte-americano Bernie Sanders e a ex-vice-presidente Kamala Harris, ambos do Partido Democrata, criticaram neste domingo (4) a operação militar ordenada pelo ex-presidente Donald Trump na Venezuela. As declarações foram publicadas em vídeos e textos na rede social X.

Sanders pede reação do Congresso

Sanders afirmou que Trump “voltou a demonstrar desprezo pela Constituição e pelo Estado de Direito”. Segundo o senador, o presidente dos Estados Unidos “não tem o direito de, unilateralmente, levar o país à guerra, mesmo contra um ditador corrupto e brutal como Nicolás Maduro”. Ele cobrou que o Congresso aprove rapidamente uma resolução sobre poderes de guerra para barrar o que classificou como “operação militar ilegal”.

O parlamentar também comparou a ofensiva norte-americana à justificativa usada pela Rússia contra a Ucrânia. “Essa violação descarada das leis internacionais dá sinal verde para que qualquer país ataque outra nação para explorar recursos ou alterar governos”, disse.

Sanders lembrou ainda que integrantes da administração Trump já haviam defendido a retomada da Doutrina Monroe. “Falaram abertamente em controlar as reservas de petróleo da Venezuela, as maiores do mundo. Isso é imperialismo de alto nível e remete aos períodos mais sombrios de intervenção dos EUA na América Latina”, concluiu.

Kamala Harris vê motivação em petróleo

Em postagem separada, Kamala Harris também condenou a ação, chamando Maduro de “ditador brutal e ilegítimo”, mas criticando o que vê como reais interesses de Trump. “Já vimos esse filme: guerras por mudança de regime ou por petróleo vendidas como demonstração de força, que se transformam em caos”, escreveu.

Para Harris, a operação “não trata de narcotráfico nem de defesa da democracia, e sim de petróleo e da necessidade de Donald Trump se apresentar como o homem mais forte da região”. A ex-vice-presidente acrescentou que a ofensiva consome “bilhões de dólares, coloca tropas em risco, desestabiliza a região e não apresenta base legal, plano de saída ou benefícios para o povo americano”.

Contexto da intervenção

No sábado (3), explosões atingiram diversos bairros de Caracas durante o ataque dos Estados Unidos. Maduro e a primeira-dama, Cilia Flores, foram capturados por forças de elite norte-americanas e transferidos para Nova York.

A ação é a primeira invasão direta dos Estados Unidos a um país latino-americano desde 1989, quando tropas norte-americanas detiveram o então presidente do Panamá, Manuel Noriega, sob acusação de narcotráfico. Assim como ocorreu à época, Washington acusa Maduro de liderar o suposto cartel de drogas “De Los Soles” e mantinha oferta de recompensa de US$ 50 milhões por sua prisão.

Críticos apontam a operação como um movimento para afastar a Venezuela de aliados como China e Rússia e garantir acesso às maiores reservas de petróleo comprovadas do planeta.

Fonte: Agência Brasil

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Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.