Calor intensifica risco de AVC durante o verão, adverte neurocirurgião

Claudio Vasconcelos
3 Min Leitura

O número de atendimentos por acidente vascular cerebral (AVC) tende a subir nos meses mais quentes, segundo o neurocirurgião e neurorradiologista intervencionista Orlando Maia, do Hospital Quali Ipanema, no Rio de Janeiro. O especialista afirma que o calor provoca desidratação, torna o sangue mais viscoso e facilita a formação de coágulos, principal causa do AVC isquêmico.

Desidratação e pressão baixa ampliam risco

Maia explica que a perda de líquidos favorece o espessamento do sangue, o que aumenta a probabilidade de trombose e, consequentemente, de obstrução de vasos cerebrais. Além disso, a vasodilatação típica do verão reduz a pressão arterial, situação que também facilita arritmias cardíacas — outro gatilho para a formação de coágulos que podem alcançar o cérebro.

Hábitos de férias agravam a situação

O consumo maior de bebidas alcoólicas, frequente nas férias, intensifica a desidratação e favorece arritmias. Nesse período, é comum ainda que pacientes esqueçam medicamentos de uso contínuo, o que eleva o risco de crise hipertensiva e AVC. Doenças típicas do calor, como gastroenterites com diarreia, insolação e esforços físicos excessivos, somam-se aos fatores de perigo.

Tabagismo permanece como vilão

O médico destaca o tabagismo como uma das principais causas externas de AVC. A nicotina reduz a elasticidade dos vasos ao bloquear a produção de elastina e desencadeia inflamações que facilitam a deposição de placas de colesterol. Dessa forma, o cigarro está relacionado tanto ao AVC hemorrágico quanto ao isquêmico.

Casos aumentam e afetam cada vez mais jovens

No Hospital Quali Ipanema, a média de atendimentos chega a 30 pacientes por mês no verão — o dobro do registrado em outras épocas do ano. Maia lembra que, isoladamente, o AVC é a doença mais frequente do planeta: uma em cada seis pessoas sofrerá o problema ao longo da vida. O estilo de vida atual, associado a tabagismo e doenças crônicas mal controladas, faz crescer o número de casos em indivíduos com menos de 45 anos.

Prevenção e tratamento

Para reduzir o risco, o especialista recomenda exercícios regulares ao menos três vezes por semana, alimentação equilibrada, controle rigoroso da pressão arterial, adesão aos medicamentos prescritos e abandono do cigarro. Caso o AVC ocorra, a rapidez no atendimento é decisiva: a trombólise intravenosa pode ser aplicada até 4 horas e 30 minutos após o início dos sintomas; já a trombectomia mecânica, realizada com cateter introduzido pela virilha, pode ser feita em casos selecionados até 24 horas.

Sintomas que exigem socorro imediato

Paralisia súbita de um braço ou perna, fala arrastada, perda de visão de um dos lados, tontura intensa ou perda repentina da consciência são sinais de alerta. Diante de qualquer um deles, a orientação é levar a pessoa imediatamente ao hospital.

Fonte: Agência Brasil

Compartilhe essa Notícia
Claudio Vasconcelos é jornalista veterano com vasta experiência em coberturas políticas e esportivas em Sergipe. Natural de Canindé de São Francisco, construiu sua trajetória na imprensa sergipana com foco em jornalismo de raiz, privilegiando apuração rigorosa e compromisso com a informação. Apaixonado pelo futebol e pelos bastidores da política, traz perspectiva experiente e bem fundamentada para cada matéria.